Viúva denuncia sobrinho
Curitiba - A viúva Isolina Moraes Toffoli Culau entrou com uma representação criminal na Justiça Estadual contra o sobrinho, que teria retirado das poupanças que o marido havia deixado para ela um montante de R$ 1,5 milhão. Isolina relata que não tinha conhecimento que os valores depositados pelo marido eram tão altos. Sabia que ele guardava dinheiro há anos e prometia que iria deixá-la em situação econômica confortável. Delegado aposentado, Paulo Agostinho Toffoli Culau vivia numa casa simples no bairro Boa Vista. Não tinha carros. Em casa, guardava R$ 20 mil para emergências.
''Ele não gostava de viajar, de festas. Sempre me dava presentes, mas era muito caseiro'', relata. No dia 10 de novembro de 2005, Paulo Agostinho morreu. O sobrinho teria oferecido ajuda para os funerais e para fazer o inventário. Isolina, conhecida como ''Júlia'' pela família, já estava com 84 anos e não tinha filhos. Por essa razão, resolveu deixar o sobrinho cuidar de tudo. ''Eu dei tudo o que tinha para ele. Os documentos do Paulo, os meus, as armas que tinha em casa. Ele levou e não apareceu mais para prestar contas. Vinha apenas para que eu assinasse papéis. Eu assinava sem ler. Um dia eu disse que não aguentava mais tanto papel para assinar e que que não tinha idéia que um inventário era tão burocrático''.
Os papéis que ela assinou eram procurações para que o sobrinho movimentasse as contas da viúva. Segundo a viúva, ele retirou os valores das contas. Ela também assinou uma declaração de cartório fazendo uma doação pública de dinheiro para o sobrinho - o que legalizava a transação bancária.
As retiradas do banco foram descobertas quando outro sobrinho fez a tia abrir os extratos bancários e verificou que as contas estavam zeradas. ''Eu não abria porque ele me dizia que o juiz é que tinha que abrir'', explica. Isolina não está passando dificuldades financeiras porque vive da pensão do marido, que é de R$ 6 mil. Entretanto, ela se diz traída. ''Quando eu descobri tudo, caí no chão e machuquei a testa. Não podia acreditar que eu tinha confiado nele.
Nervosa com toda a situação, Isolina está mais magra. No ano que vem, ela completaria com o marido 50 anos de casamento. ''Ele usou de má-fé. Ele sabia que o que estava fazendo era roubo. Me chamava de tiazinha querida, sentava aqui e me beijava.''
A Justiça determinou que os bens do sobrinho e as aplicações financeiras ficassem indisponíveis até a apuração do caso. As armas do delegado foram apreendidas e estão à disposição da Justiça. Um inquérito policial tramita no 5º Distrito Policial, em Curitiba. (L.P.)





