Viúva de paciente morto no HU entra na Justiça
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Marcos NegriniIndenizaçãoAdelina Andrade, 3 filhos, acusa hospital e médicos de negligênciaA mulher do pedreiro Adeildo Aparecido Patrocínio, que morreu no último dia 21 de março no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Maringá (UEM), entrou com uma ação de indenização por danos materiais e danos morais contra a instituição e três médicos plantonistas que prestavam atendimento no dia 20 de março.
Adelaide Aparecida de Andrade, 22 anos, tem três filhos e alega não ter condições de sustentá-los depois da morte do marido, que era operário autônomo e ganhava cerca de quatro salários mínimos por mês. Ela alega que o marido não recebeu o atendimento adequado no HU pelos médicos plantonistas e que o hospital não teria agilizado a transferência do pedreiro para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Adeildo foi internado no HU no dia 20 de março, por volta das 23h30. Ele estava ferido na cabeça depois de ter se envolvido em uma briga com um colega de jogo em uma lanchonete localizada no Parque Hortência, onde Adeildo morava.
De acordo com processo que tramita na 4ª Vara Cível de Maringá, os médicos de plantão Luiz Antonio Pupulin, Wilson Isao Kikuchi e Norrison Fernandes Evangelista Miranda não teriam prestado atendimento adequado a Adeildo. Pupulin foi o primeiro a atender Adeildo. Segundo o processo, o médico teria apenas medicado o paciente com analgésicos e sedativos e não teria solicitado nenhum exame.
Adelaide também alega que o HU não providenciou a transferência de Adeildo para uma UTI e que um atendente do hospital chegou a afirmar que ela precisaria de R$ 3 mil para conseguir o tratamento que o paciente necessitava. Adeildo ficou quase 20 horas no HU e morreu por volta das 17 horas do dia 21.
A indenização solicitada por Adelaide é de R$ 50 mil por danos morais e mais uma pensão de R$ 360,00 ao mês até o ano de 2034. Adelaide e o filho mais velho do casal, de 7 anos, estão recebendo tratamento psicológico. O superintendente do HU, Paulo Roberto Donadio, disse ontem à Folha que não tem conhecimento do processo. Já o médico Luiz Antonio Pupulin não foi localizado ontem à tarde no Hospital Santa Casa. Funcionárias do hospital disseram que ele estava em cirurgia.
Já a secretária do médico Wilson Isao Kikuchi disse que ele só poderia atender hoje à tarde. A Folha também tentou contato com o médico Norrison Fernandes Evangelista Miranda, que não pôde atender.


