Viúva de advogado alega inocência
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quinta-feira, 05 de junho de 2003
Luciana Pombo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba A dona de casa Vera Lúcia Crovador reafirmou ontem, perante o Tribunal de Júri, que não mandou matar o marido Luiz Renato Crovador, 53 anos, assassinado no dia 3 de novembro de 1999. Ela acusou ex-clientes do advogado criminalista de serem os principais interessados na morte de Crovador. Um deles seria Paulo Pacheco Mandelli, apontado como o principal empresário do setor de desmanche de carros roubados do Estado e citado na CPI do Narcotráfico.
Mandelli está desaparecido há três anos. ''Isso tudo foi uma armadilha'', afirmou Vera Lúcia. Ela disse que o marido tinha vários inimigos porque utilizava dinheiro de clientes para abrir e movimentar contas fantasmas em São Paulo. ''Ele estava sendo ameaçado. Andava muito nervoso'', declarou.
Crovador foi morto com um tiro na cabeça dentro no escritório em que trabalhava. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Vera e Milis Rogério dos Santos um garoto de programa mantinham um romance e teriam planejado o assassinato. Para isso, Vera teria pago R$ 15 mil e outros US$ 15 mil para que Milis executasse o crime. O garoto teria procurado o comerciante Setembrino José Nórdio para comprar duas armas e encontrar as pessoas que pudessem praticar o crime.
Nórdio teria contratado por R$ 4 mil o servente Edson Rodrigues Zucco (conhecido como ''Paulista'') e o desempregado Cleverson Firmino Miró (Polaco) na época com 17 anos. Os dois teriam sido levados até o escritório de Crovador pelo produtor de cogumelos Daniel Gomes Serápio, amigo de Milis. Zucco e Miró teriam se passado por clientes para entrar e matar o advogado. Eles fugiram em seguida.
O caso foi desvendado pelos policiais civis Altair Ferreira Pinto (Taíco) e Kamil Salmen, citados na CPI Nacional do Narcotráfico. Milis nunca foi encontrado. Ela contou que chegou a falar para o marido sobre o romance que mantinha com Milis. Um mês antes da morte, eles teriam rompido o romance. Milis teria ameaçado Vera Lúcia, dizendo que se vingaria nos seus filhos, sua família e seu marido, caso ela não voltasse para ele. ''Ele ameaça minha família'', relatou, aos prantos.
Quinze dias antes do assassinato, Crovador teria procurado Milis para avisar que o queria longe de Vera Lúcia. ''O Renato (Crovador) me falou que o Milis reagiu de forma agressiva e contou que trabalhava para o Mandelli'', relatou a viúva. Vera Lúcia relatou ainda que foi presa no dia do enterro do marido. Ela ficou presa durante quase um ano.
Vera Lúcia citou ainda o nome de Joarez França Costa (Caboclinho). De acordo com ela, o empresário estaria ameaçando o advogado por causa de um terreno.
Dos acusados pela crime, três já foram julgados. Paulista e Polaco foram condenados. Nórdio foi absolvido por falta de provas. O julgamento deveria ser interrompido por volta da meia-noite de ontem e retomado às 9 horas de hoje.


