Viúva acusa gerente por espancamento
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quinta-feira, 24 de março de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Uma mulher de 44 anos acusou ontem um gerente da Loja Cem, na Vila Hauer, em Curitiba, de espancamento. A viúva Zilma Francisca Braga contou à polícia, num depoimento emocionado, que fez compras de móveis e eletrodomésticos para um filho que iria se casar em outubro do ano passado. A compra teria gerado uma dívida de R$ 4,5 mil. Valor praticamente impagável, já que ela recebe pensão de R$ 337 por mês. Segundo a denúncia, o gerente teria ido até sua casa, no bairro do Xaxim, onde foi puxada pelos cabelos e arrastada na rua.
A viúva conta que tinha intenção de pagar a dívida, mas não conseguiu. ''Os meus gastos começaram a ficar cada vez mais pesados e deixei a conta para quando tivesse recursos financeiros'', contou. Ela disse que desde o início do ano é ameaçada pelo gerente de cobrança, identificado por ela como Erico Leite. Ele propunha um parcelamento da dívida com pagamentos mensais de R$ 150. ''Eu não consegui honrar nem mesmo esse novo acordo. Não tive dinheiro. Mas quero pagar'', destacou.
No dia 15 de janeiro, ele teria ido invadido a casa da viúva com um carro. ''Ele chegou a derrubar o portão. Minha filha de 13 anos ficou assustada. Ele queria me algemar e disse que ia me levar presa. Eu não deixei. Ele queria levar meus móveis, mas não conseguiu. Resolveu ir embora, mas prometeu que voltava'', relatou ela à Folha. Zilma foi ouvida ontem pelo delegado-adjunto do 8º Distrito Policial, Ricardo Martins.
Anteontem, o gerente teria voltado. Por volta das 11 horas, ele teria descido de um carro com outro homem ao lado e teria parado em frente à casa dela. ''Ele nem me deixou falar nada. Ele disse que não tinha mais conversa comigo e foi puxando meus cabelos e me arrastando para a rua'', contou. Ele teria levado a viúva até o carro pelos cabelos e a teria arrastado pela rua, com a porta aberta. Pernas, braços e costas ficaram machucados. ''Eu nem sei contar o que aconteceu. Desmaiei e não vi mais nada''. A viúva disse que faz tratamento psiquiátrico e toma antidepressivo.
Os vizinhos contaram que foram ver o que estava acontecendo ao ouvir os gritos de Zilma. ''Eu fui até a rua e eles saíram cantando pneus logo depois. Tive a impressão que eles queriam passar o carro por cima dela, porque estavam voltando quando me viram saindo de casa'', contou a dona de casa Zelinda Carmargo, de 30 anos. Foram os vizinhos que acompanharam a viúva ao Hospital do Trabalhador e depois a levaram ontem para prestar queixa na polícia. ''Fico indignada como eles dão crédito para uma mulher pobre e sem estudo como ela e depois resolvem vir cobrar dessa forma. É um absurdo'', disse Zelinda, indignada.
A Folha foi ontem até a Lojas Cem para procurar o gerente e foi informada por uma atendente que ele estava fazendo cobranças. O subgerente da loja, que não quis se identificar, confirmou que Erico Leite foi mesmo até a casa de Zilma anteontem. Entretanto, ele não teria ido fazer cobranças. O objetivo teria sido entrar em um acordo para o pagamento da dívida. O subgerente negou que tenha havido agressão no momento da negociação e garantiu que tudo não passou de teatro da viúva para obter publicidade.
Na porta, uma placa indicava que a loja estava contratando cobradores, sem exigir experiência. As Lojas Cem fazem vendas em até seis vezes, sem juros.


