Vitrificação em vez de congelamento
O homem que desde o início da carreira - formou-se em 1979 na Universidade Estadual de Montes Claros (MG) - nunca se conformou com as limitações oferecidas pela medicina aos pacientes, foi pioneiro na América Latina, no início dos anos 80, em reprodução humana usando técnicas de fertilização in-vitro. Também foi responsável pela primeira gestação de mulher em menopausa na América Latina, relatada no Guinnes Book, e pela primeira gestação no Brasil em um casal onde o pai era estéril.
Visionário, ele também organizou o primeiro banco de sêmen humano do Brasil, na década de 80, e providenciou um software e um protocolo específico para poder gerenciar um serviço de congelamento de embriões. Foi ele, ainda, que trouxe a tecnologia de operação de fetos mal-formados dentro do útero para o Brasil - já foram feitos oito procedimentos deste tipo no País. Mais recentemente, inventou e patenteou um aparelho para drenar o líquido amniótico durante a cirurgia, tornando mais seguro e menos oneroso o procedimento.
Agora, Almodin está prestes a tornar pública uma outra descoberta de sua equipe. No final de outubro ele vai lançar, durante o I Curso Avançado em Reprodução, que vai acontecer em Maringá, o protocolo de uma técnica mais eficiente de preservação de óvulos que as existentes hoje em dia. Trata-se do aprimoramento da técnica de vitrificação, algo que pesquisadores de todo o mundo vêm tentando fazer. ''Desenvolvemos em conjunto com o pesquisador húngaro Gabor Vatja, um dos maiores conhecedores de criopreservação através de congelamento e de clonagem. Nosso objetivo é diminuir substancialmente ou até acabar com o congelamento de embrião'', revela o médico.
Para conseguir a vitrificação de maneira eficaz e mais barata, Almodin e uma equipe de engenheiros criaram uma haste de polipropileno - chamada até o momento de Vitri-Ingá - que tem um furo minúsculo em uma das extremidades. Neste orifício é colocado o óvulo, que fica suspenso no ar através da técnica de vitrificação ou espelhamento, conseguida com o uso de duas soluções. Uma vez vitrificado, o óvulo é colocado diretamente no tambor de nitrogênio, a menos 196 graus centígrados. ''Não é preciso nem o uso de computador, o que diminui sensivelmente o custo do procedimento e o tempo de trabalho. São gastos cerca de três minutos por óvulo, enquanto o congelamento de embrião leva de três a quatro horas.''
Além da haste - que vai custar no máximo R$ 5,00 - ele desenvolveu uma caixa de isopor e metal onde vai o nitrogênio para fazer a vitrificação, que tem um valor de produção em torno de R$ 1 mil. ''Hoje um congelador de embriões custa de US$ 10 mil a US$ 15 mil'', informa. O custo, portanto, deve cair em torno de 95%, segundo Almodin.
Outra vantagem da técnica, lembra o pesquisador, é evitar o grande problema ético e moral que existe em torno dos embriões congelados e não utilizados. Enquanto o óvulo consiste em uma célula, podendo, portanto, ser descartado sem problemas, o embrião é considerado um ser vivo.
Na clínica de Almodin a vitrificação de óvulos já vem se tornando procedimento de rotina. ''Provavelmente até o final deste ano vamos passar a congelar embrião apenas em situações muito específicas'', afirma o pesquisador. (S.L.)





