Primeiro conjunto habitacional de Londrina, inaugurado em 2 de setembro de 1970, o Jardim Vitória Régia (Zona Leste) ainda preserva muitas de suas casas e moradores originais. São apenas sete ruas, com 136 casas ao total, além de uma escola municipal, uma quadra esportiva, uma praça e um conjunto de quatro salas comerciais, onde ficam a padaria (que está sendo ampliada para mercearia), o bar e o salão de beleza.
As ruas do bairro são estreitas (têm apenas três metros de largura), e foram construídas prevendo um tráfego predominantemente de bicicletas. O Vitória Régia preserva ainda o clima de cidadezinha do interior, onde todos os moradores se conhecem. ''Tem até as fofoqueiras de plantão, que sabem quem chegou tarde em casa, quem brigou, quem dormiu fora, quem aprontou'', comenta um morador.
''Eu adoro morar aqui, o bairro é bom e todo mundo me conhece'', afirma Luzia Savieruchi, a ''dona Luci'', complementando que viu muita gente nascer, casar e ter filhos no bairro. A tranquilidade e a segurança (''mas ultimamente tem piorado'') são outras vantagens levantadas por ela e outros moradores do Vitória Régia. ''Em 14 anos, eu nunca fui assaltado. Aqui todo mundo é honesto, ninguém quer prejudicar ninguém, pelo contrário, todo mundo se ajuda'', elogiou o presidente da associação de moradores e proprietário da padaria, Ivaldo Vieira Franco. ''O pessoal mais velho eu conheço, os de meia-idade eu vi nascer e agora estou vendo nascer os filhos deles. Vou me mudar daqui pra quê?'', pergunta Carlos Silva, o ''Carlão Contador''.
Os apelidos, aliás, parecem ser outra característica própria do bairro. O nome da Escola Municipal Suely Ideriha, em homenagem a uma professora que teria lutado muito pela instituição, na boca dos moradores soa como ''Solideria''. Apesar de ser uma das moradoras mais antigas do bairro, muita gente não sabe quem é dona Maria Aparecida Barbosa, porque todos a chamam de ''Conchita''. ''Se você disser só o meu nome tem muita gente que nem vai saber que sou eu'', brinca, lembrando que seu filho, Anderson, foi a primeira criança a nascer no bairro. ''O engraçado é que logo em seguida nasceu outro menino, e também deram o nome de Anderson'', conta.
Projetos - O presidente da associação de moradores afirma que o bairro aguarda a execução de dois projetos que poderiam beneficiar bastante a região. O primeiro é a ampliação da avenida Santos Dumont, facilitando o acesso para o Hospital Universitário (HU). Hoje, o caminho da avenida até o hospital intensifica o trânsito de veículos pelas ruas da região. ''Essa ampliação traria mais tranquilidade para nós. O diretor do HU disse que o dinheiro já saiu, mas estão dizendo que o IAP (instituto Ambiental do Paraná) está encrencando porque teria que derrubar algumas árvores'', relata.
O segundo projeto é a construção de um prédio de extensão do HU no terreno do antigo Instituto Brasileiro do Café (IBC). ''Boa parte do terreno já está comprometida com a construção da sede da Justiça do Trabalho, mas a idéia é aproveitar o espaço restante para ampliar o HU. Isso facilitaria o atendimento à saúde aos moradores tanto do nosso quanto de outros bairros'', avalia.
Os moradores consultados pela reportagem também reclamaram das precárias condições da quadra de esportes e da praça. ''Pedimos a cobertura da quadra para a prefeitura, que disse que é com a Cohab. Fomos lá, mandamos projeto até para Fundação de Esportes, e até agora nada'' reclamou o representante dos moradores, acrescentando que, como a escola não tem quadra esportiva, os alunos precisam enfrentar o sol forte da cancha para as aulas de educação física. ''A praça está abandonada, com bancos quebrados, e juntando um monte de desocupados à noite'', complementaram Luci e Conchita.

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