Débora Rogéria de Souza com Heloísa Vitória: "Ela nasceu com arritmia e hoje está bem, sem nenhum problema"
Débora Rogéria de Souza com Heloísa Vitória: "Ela nasceu com arritmia e hoje está bem, sem nenhum problema" | Foto: Anderson Coelho



"Ela é a vitória da minha vida. Olho para ela e falo que é uma criança muito amada e esperada". A fala é de uma mãe, que como tantas, tem no nascimento do filho o início de uma nova fase da vida. No caso da dona de casa Débora Rogéria de Souza, porém, a espera para ter em seus braços a filha Heloísa Vitória foi grande e cheia de desafios. Há um ano, a pequena de olhos azuis e cabelos dourados como o sol nasceu com sete meses de gestação e teve seu estado de saúde agravado em razão de uma arritmia cardíaca.

Heloísa, que veio ao mundo no dia 21 de março de 2017, foi destaque da Folha de Londrina em uma matéria sobre polvos feitos de crochê, que eram usados para deixar bebês prematuros mais protegidos e seguros na incubadora. Uma foto dela, com seus 41 centímetros dois quilos, estampou a capa do jornal. Abraçada ao polvo, ela mostrou que também abraçou a vida para lutar por ela todos os dias. Saiu do Hospital Evangélico, onde ficou internada, quase dois meses depois de vir ao mundo.

Nove anos depois de casar com José Roberto, ela e o marido resolveram se tornar pais. As tentativas deram errado e por conta disso procuraram um especialista. "Fiz exames e o médico disse que não poderia engravidar de forma natural, por ter síndrome dos ovários micropolicísticos, e se conseguisse seria apenas por meio de fertilização, que era muito cara. Minha vida 'foi ao chão' naquele momento, pois meu sonho era ser mãe. Não queria mais nada a não ser isso, que era a família que tinha idealizado", relembra.

Mãe e a bebê prematura foram personagens de reportagem
Mãe e a bebê prematura foram personagens de reportagem | Foto: Ricardo Chicarelli/25-04-2017



NASCIMENTO
Por conta do distúrbio, começou a tomar remédios para controlá-lo. Quatro meses após o diagnóstico e iniciado o tratamento, outras complicações começaram a aparecer. "Surgiram dificuldades para realizar atividades diárias. Procurei atendimento e veio a constatação que estava com trombose. Fiquei internada, inchada e só lembro disso. Fiquei sete dias em coma induzido pelo estado que estava."

No total, foram 16 dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) até ser liberada. Dois anos após a situação, o sonho de ser mãe voltou a ser fomentado. "Tive síndrome do pânico depois da trombose. O médico alertou sobre os riscos de engravidar, mas em outubro de 2017 descobri a gravidez", conta. Do momento em diante, as semanas uniram um misto de alegria e apreensão. Em 18 de março aconteceu o chá de bebê da esperada Heloísa Vitória. Em 20 de março, ao ir no hospital tomar remédios de rotina, tudo mudou.

"Comecei a sentir muitas dores e a equipe médica me informou que teria que tirar o bebê. Eu e meu esposo ficamos muito apreensivos. O parto foi feito na madrugada do dia seguinte e de lá ela seguiu direto para a UTI, depois ficou na UCI (Unidade de Cuidados Intermediários) e a rotina a partir de então era passar longas horas no hospital ao lado dela", descreve. "Ela nasceu com arritmia e hoje está bem, sem nenhum problema. O desenvolvimento foi e está sendo ótimo. É uma criança muito amada, desejada e cuidada com extremo carinho", destaca Souza, que havia escolhido o nome e sobrenome da filha antes de tudo acontecer.

FAMÍLIA COMPLETA
Hoje alegria da casa, a criança também é sinônimo de orgulho e conquista para a avó materna. Segundo a aposentada Geni de Souza, o medo era grande de não ter uma neta. "Depois de casada demorei 20 anos para ter filho. Sei bem o que é esperar. Agradeço a Deus todos os dias por ter me tornado avó e poder conviver com uma menina tão abençoada. Eu a amo muito", emociona-se. Recentemente, a bebê ganhou uma festa para comemorar o primeiro ano de vida. Simples, como definiram mãe e vó, na celebração não faltou amor.

Longe do ambiente hospitalar e esbanjando saúde, Heloísa Vitória come de tudo, adora assistir desenhos e brincar com o polvo que ganhou quando estava na incubadora. O "Belinho", como foi nominado, ganhou o "Zeninho", outro polvinho de crochê, para juntos somar na família, que agora se considera completa. Para o futuro, a mãe só deseja o melhor para a filha, que sorridente abre as portas da esperança para aqueles que também passam por momentos difíceis. "Espero que ela seja feliz. Será uma menina muito agradecida", expecta.

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