Vítimas tentam se recuperar da tragédia
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domingo, 13 de março de 2011
Adriana Franco <br> Equipe da Folha 
Antonina - Depois da chuva ininterrupta dos últimos dias no Litoral do Paraná, moradores que tiveram suas casas poupadas tentam limpar a lama que ficou e resgatar móveis e outros pertences. Situação diferente para quem vive em alguns bairros de Antonina e Morretes, nos quais milhares de pessoas estão desabrigadas. A maioria delas perdeu tudo.
É o caso da moradora do bairro Laranjeiras, em Antonina, Tânia Mara de Freitas Dutra, 40 anos. Ela teve de deixar sua casa, na quarta-feira, devido ao risco de desabamento. ''Não tive como pegar nada, minha família e eu saímos com a roupa do corpo'', conta. A residência de Tânia foi a primeira a desmoronar e ela também foi a primeira a ser acolhida pela 1 Igreja Batista de Antonina. Até a tarde de ontem, o número de pessoas atendidas chegava a 86, divididas em 35 famílias. O bairro em que ela morava terá todas as casas demolidas, segundo a Polícia Militar.
O responsável pela organização do atendimento aos desabrigados na igreja, Mário Pereira Filho, diz que está muito difícil atender a todos, porque a estrutura é pequena e há pessoas que necessitam de atenção especial. ''Ainda bem que estamos recebendo ajuda prefeitura e da comunidade com alimentos. Mas ainda é necessária a doação de roupas íntimas e comuns, produtos de higiene pessoal e água potável'', acrescenta. O abrigo também conta com a presença de 22 crianças e idosos com idades avançadas.
O empresário Iuri Santana, 27, foi outra vítima que perdeu tudo com a chuva no bairro Laranjeiras. Ele estava morando no local havia um mês e teve sua casa totalmente soterrada. No começo da tarde de ontem foi ao local onde morava, acompanhado da esposa e da filha e a cena foi chocante. A menina, sem entender muito como tudo aconteceu, perguntava: ''Pai, cadê a nossa casa, cadê os meus brinquedos?'', e o pai respondia: ''Está tudo lá embaixo (da lama), filha, não dá mais para pegar nada.''
A imagem nos rostos daqueles que tentavam encontrar algum pertence entre os destroços era de desolação. Entre essas pessoas, estava o sargento do 1º Grupamento do Corpo de Bombeiros, Sílvio da Veiga Crates, que há 21 anos escolheu uma profissão para salvar vidas, mas, por ironia do destino, não conseguiu salvar o próprio pai. Pedro Deus Crates, 75, foi uma das vítimas fatais da tragédia no litoral. Ele morreu soterrado porque resolveu ficar um pouco mais na casa onde criou todos os filhos e passou a vida inteira.
''Fiquei sabendo da morte do meu pai porque vi a foto dele na televisão da panificadora perto da minha casa. É algo inacreditável, não dá para imaginar que isso pode acontecer com a gente também. Sempre estou no lado contrário da situação'', declarou.
Serviço - Informações sobre como ajudar a 1 Igreja Batista de Antonina, que está acolhendo mais de 80 desabrigados vítimas da chuva, pelo telefone (41) 3432-1153.


