Vítimas têm vergonha de denunciar violência sexual
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de outubro de 2003
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Atendimento médico, apoio psicológico e orientação jurídica. O objetivo do programa Rosa Viva é oferecer auxílio completo a vítimas de violência sexual (homens e mulheres). Mantido pela administração municipal, o Rosa Viva completa dois anos de atuação e contabiliza 71 atendimentos, uma média de três casos mensais. A data foi marcada por solenidade realizada na manhã de ontem na Maternidade Lucilla Ballalai, sede do programa. Nesse período, só mulheres procuraram pelo serviço.
As vítimas de violência sexual recebem atendimento inicial do médico e enfermeira da maternidade. Todas são orientadas a fazer registro policial da ocorrência e exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML). Também são encaminhadas para atendimento psicológico e jurídico, feitos pelo Centro de Atendimento à Mulher (CAM). Os casos em que as vítimas são menores de idade são comunicados ao Conselho Tutelar. O registro de ocorrência, no entanto, não é exigido para que a vítima receba atendimento do Rosa Viva.
De acordo com a diretora do CAM, Sandra Coelho, a média de atendimentos poderia ser maior. ''Talvez por medo ou vergonha, elas não procuram o programa. Acredito que a média é de uma em cada dez mulheres''.
O atendimento na maternidade é exclusivo para maiores de 12 anos. As crianças menores têm que ser ser encaminhadas ao Pronto Atendimento Infantil (PAI). Segundo Waleska, as adolescentes, normalmente, tomam a iniciativa da denúncia. ''No caso de crianças, os pais devem ficar atentos à mudanças de comportamento, como ficarem mais caladas'', explicou. É preciso procurar ajuda o mais rápido possível devido ao prazo para efeito da medicação (prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis) e coleta de material para investigação criminal.
Segundo dados do programa, a maioria dos casos de violência sexual ocorre entre adolescentes de 12 a 17 anos: 33 casos. Em seguida, as faixas etárias de 18 a 30 anos (29), de 30 a 40 (5) e mais de 40 (4). Dos 71 casos atendidos nos dois anos, somente 18 fizeram registro da ocorrência. Para Sandra, uma das dificuldades do Rosa Viva é a falta de assistência jurídica.


