Vítimas sofrem a lentidão da Justiça
Um ano depois de ter parte da perna direita amputada em decorrência de um acidente no Centro de Londrina, o garçom Leandro Rodrigues, 23 anos, luta para conseguir uma aposentadoria pela Previdência Social e se adapta à prótese adquirida em junho deste ano.
Leandro voltava do trabalho em sua moto quando colidiu com uma Mercedes Benz E320, conduzida por um adolescente de 17 anos, no cruzamento das ruas Pernambuco e Juscelino Kubistchek. ''Este mês o acidente completou um ano, e até agora está tudo parado. Não tivemos nem uma audiência'', comenta Rosângela, mãe da vítima, referindo-se à ação que corre na 2 Vara Criminal.
Ela conta que o filho trabalha desde os 13 anos e, na época do acidente, recebia em média R$ 900 mensais por seu trabalho. Hoje, o valor repassado pela Previdência Social equivale à metade disso. Sem condições para comprar uma prótese, a família pediu ajuda da FOLHA em novembro do ano passado, e conseguiu R$ 4,5 mil por meio de doações. ''A prótese custava quase dez mil reais; o resto eu completei do meu bolso, fiz até empréstimo'', relata.
Inconformada com a morosidade da justiça, Rosângela reclama que o Código de Trânsito poderia ser mais rigoroso. ''Queria que houvesse justiça, que este caso servisse de exemplo para que outros jovens não fizessem a mesma coisa, às vezes até acabando com a vida de outras pessoas. Mas não adianta nada se a pessoa sabe que não vai ter punição'', reflete, acrescentando que falta também mais responsabilidade por parte dos pais que deixam um filho menor de idade pegar o carro.
Segundo o presidente do Conselho de Trânsito de Londrina, Fábio Chagas Theophilo, é comum os autores de crimes de lesão corporal culposa no trânsito serem condenados à prestação de serviços à comunidade, como a doação de cestas básicas - o que, eventualmente, pode acontecer inclusive em um caso de homicídio culposo. ''Há uma punição, mas, na minha opinião, as penas para crimes dessa natureza são muito brandas. Além de mais rigorosas, precisariam incluir reinserção social, reciclagem e tratamento para que esse motorista pudesse voltar às ruas'', sugere.
Já a morosidade na justiça, segundo Theophilo, não acontece só com os crimes de trânsito. ''Essa é uma deficiência de todo o judiciário''.(A.I.)





