Vítimas relembram momentos de pânico
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
''Eu não desejo uma experiência como essa nem para o meu pior inimigo.'' O desabafo de Everson Dias Gomes, 26 anos, estudante de educação física, talvez pudesse ser repetido por cada uma das vítimas do acidente ocorrido anteontem na BR-369. Na batida, o jovem não sofreu ferimentos mais graves ficou apenas com hematomas em várias partes do corpo , mas ele dificilmente esquecerá o cenário de desespero que se formou em seguida.
''Vários amigos meus estavam chorando, feridos. Um deles estava com uma fratura exposta, com o pé preso embaixo dos bancos. Fui o primeiro a sair do ônibus, pela janela, e fiquei na pista, acenando para os carros que passavam, pedindo ajuda'', disse o estudante, que estava no ônibus da Bárbara Tur.
Ele relatou que Tabatha Souza e Silva, que morreu no acidente, era sua caloura: a adolescente estava na sua primeira semana de aula no curso de educação física. ''Eu estava mais ou menos no meio do ônibus, e ela estava umas duas poltronas à frente'', disse Gomes. ''Não vi nada da batida. O motorista sempre deixa as cortinas (da cabine) fechadas. Estava todo mundo se divertindo, cantando, naquele clima de depois da aula. Eu só vi um clarão e senti o impacto''.
O funcionário administrativo Alexandre Henrique de Souza, 30 anos, estava no outro ônibus. Ele tem família em Londrina e estuda informática em Cornélio Procópio. No acidente, ficou com a perna esquerda presa nas ferragens. ''No instante do acidente, eu estava encostado na poltrona, conversando com um amigo. Senti o veículo balançar e fiquei de pé. Cheguei a ver os dois ônibus frente a frente'', relatou.
Souza sofreu deslocamento do braço esquerdo e rompimento de ligamento na perna que ficou presa. Bateu a cabeça, mas exames já apontaram que não houve complicações. Num intervalo de cerca de uma hora, ele e o pai, o radialista Manoel Osvaldo de Souza, viveram momentos de tensão. ''A primeira coisa que fiz após sair do ônibus foi ligar pro meu pai. A gente ficou se comunicando por celular até conseguirmos nos encontrar, na praça de pedágio'', lembrou o estudante.
''Tive dificuldades pra chegar até o local devido ao congestionamento. Foi um susto enorme'', disse Manoel de Souza. Alexandre disse que já tinha sofrido anteriormente outros dois acidentes de trânsito, mas o de anteontem foi certamente o mais marcante. ''Tinha muita gente deitada, com as roupas cheias de sangue. Demorou para me levarem, porque eu aparentava estar bem e havia pessoas que pareciam estar mais feridas. As ambulâncias não eram suficientes, tinham que ir e voltar sem parar'', explicou.
A auxiliar de enfermagem Antônia Silva Costa, 35 anos, estava no ônibus da Bárbara Tur e foi atendida no HU. Ela sofreu ferimentos no rosto e fraturas na bacia e no braço direito. ''Já atendi muita gente ferida em acidentes graves, mas nunca estive numa situação assim. Serviu até para eu crescer como pessoa''.


