Vítimas recebem apoio psicológico na delegacia
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quinta-feira, 19 de junho de 2008
Marta Ortega<br>Reportagem Local 
Um projeto de atendimento psicológico que começou pequeno, mas que aos poucos vai ganhando corpo e trazendo resultados importantes para mulheres agredidas dentro da própria casa. Desenvolvido na Delegacia da Mulher de Londrina, o serviço faz parte do atendimento humanizado, que está sendo implantado no local. O prédio já passou por uma revitalização e a equipe presta um atendimento diferenciado, para acolher melhor as mulheres.
Há dois meses, apenas uma psicóloga fazia o trabalho. Hoje, a equipe tem dez integrantes - seis psicólogas e quatro estagiárias da Unifil. Com apoio da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e Rotary Club de Londrina, o projeto, através de um serviço voluntário, presta atendimento às mulheres agredidas por maridos ou companheiros e para os filhos das vítimas. Elas são encaminhadas por grupos que já fazem um trabalho de proteção às vítimas de agressão doméstica e à crianças que sofrem abuso.
O atendimento é feito uma vez por semana de acordo com a disponibilidade das pacientes. Cada sessão dura cerca de 50 minutos. Com as crianças, o trabalho é lúdico. ''No geral, fazemos apenas uma consulta, quando as mulheres vêm fazer a queixa. Elas são encaminhadas pela própria delegada. Algumas que se sentem mais à vontade continuam o atendimento. É um trabalho lento, mas aos poucos elas vão adquirindo confiança'', afirma a psicanalista Cristina Penha, coordenadora do programa.
Hoje, o programa atende quatro mulheres semanalmente, que fazem questão de comparecer às consultas e seguem à risca as orientações das psicólogas. ''Parece pouco, mas o simples fato de passar pela primeira consulta já dá uma idéia do que elas precisam seguir'', afirma a delegada da Mulher, Elaine Aparecida Ribeiro, que assumiu a unidade em dezembro do ano passado.
A proposta é orientar e dar suporte para que as mulheres consigam levar uma vida independente e voltem a adquirir confiança em si mesmas. ''Em mais de 50% dos casos, as mulheres acabam retirando as queixas contra os companheiros, porque são dependentes financeiramente deles'', afirma a delegada.
Além disso, com a humanização no atendimento, a polícia quer que as mulheres tenham mais liberdade de chegar e falar dos problemas. ''Elas já vivem uma situação difícil sendo agredidas em casa. Precisam ter confiança de chegar e desabafar sobre os problemas''.
A Delegacia da Mulher atende em média 20 vítimas por dia. Muitas vão ao local apenas pedir informações, mas a maioria vai fazer denúncias de agressão. ''Na maioria das vezes, quando elas criam coragem para denunciar, as agressões já acontecem há anos'', afirma a delegada. O atendimento psicolólgico, segundo Elaine Ribeiro, tem ajudado muito no trabalho da delegacia.
Serviço:
O projeto precisa de doações como material escolar (papel, lápis de cor, tinta) para desenvolver o trabalho com as crianças. Interessados em ajudar podem ligar para a Delegacia da Mulher - (43) 3322-1633


