Os dois homens que foram feridos por um tiro disparado pelo bombeiro aposentado Antônio Wilson de Andrade, 56 anos, em um supermercado de Londrina, afirmaram ontem que o policial da reserva teria se identificado como segurança da empresa. Tanto o catador de papel, Sebastião Barbosa da Silva, 53, quanto o taxista, Vicente Ferreira Dias, 44, permanecem internados no Hospital Universitário mas não correm risco de morte.
A confusão aconteceu na noite de terça-feira em um supermercado na Avenida Bandeirantes (Área Central). O catador contou que a confusão começou quando Andrade se aproximou dele, se identificou como segurança do supermercado e exigiu que ele tirasse seu carrinho carregado com papelão do estacionamento. Silva disse que tinha acabado de receber R$ 10,00 e teria argumentado com o segurança que iria fazer compras e que voltaria logo em seguida.
Em seguida os dois teriam começado a discutir. O catador disse que pegou uma latinha amassada na mão e foi em direção ao bombeiro que teria lhe dado um empurrão, sacado de um revólver e disparado. O tiro atravessou o abdômen de Silva e atingiu o joelho direito do taxista que chegava ao supermercado para fazer compras. Dias reafirmou que o bombeiro aposentado disse que trabalhava como segurança e chegou a pedir desculpas pelo incidente. ''Não sei se estou fazendo certo ou errado mas vou procurar meus direitos'', adiantou o taxista.
O bombeiro, que continuava preso ontem na sede do 5º Batalhão da Polícia Militar, declarou na delegacia que teria sido abordado pelo catador quando chegava ao supermercado. Ao se recusar a dar dinheiro para o carrinheiro, que teria feito ameaças com uma faca, ele teria disparado para se defender. Silva negou que tivesse pedido dinheiro e que estivesse portando a faca que, segundo ele, permaneceu guardada no carrinho com lixo reciclável. O taxista também apontou que não viu nenhuma faca com Silva.
O delegado do 6º Distrito Policial, Algacir Ramos, informou que tomou o depoimento do gerente do supermercado ontem. Ele garantiu que o bombeiro não estava trabalhando como segurança. O delegado disse ainda que o revólver usado não estava em nome de Andrade e por isso ele foi autuado por posse ilegal de arma, além de homicídio tentado e lesão corporal. Hoje, o delegado vai ouvir as duas vítimas.
A Folha procurou a direção do supermercado mas ninguém retornou o pedido de entrevista até o fechamento desta edição. Em entrevista à Folha anteontem, a assessoria jurídica negou que o bombeiro aposentado tenha vínculo de trabalho com o supermercado.

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