Vítimas reagem a assaltos
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quarta-feira, 12 de março de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Pela terceira vez em apenas uma semana, uma vítima em Londrina decidiu reagir à ação de marginais. Ontem foi a vez do segurança Luiz Carlos Martinez, de 48 anos, que tomou uma faca de dois homens que invadiram sua residência e feriu um dos assaltantes.
Ele contou que estava dormindo numa rede na varanda de sua casa, no Conjunto Maria Cecília (zona norte), e, por volta das 4 horas, foi surpreendido por dois rapazes. Eles encostaram uma faca de açougue em seu pescoço e exigiram que Martinez se levantasse. Um deles tentou abafar seus gritos com uma toalha molhada. A vítima entrou em luta corporal com o rapaz armado. ''Sorte que eles estavam drogados e eu consegui tirar a faca deles.'' Martinez desferiu dois golpes contra o rapaz que foi ferido no peito e na barriga. Os assaltantes fugiram sem levar nada da casa.
Martinez disse que sofre de depressão e que por isso está há mais de um ano sem trabalhar. ''Não tenho nem comida em casa'', afirmou. Ele acredita que os rapazes moram numa favela do bairro e disse que reagiu porque teve medo de morrer. ''Falta muita segurança na vila'', reclamou.
Assim como o segurança, outras vítimas decidiram reagir. Na tarde da última terça-feira um suspeito de ter batido uma carteira no centro de Londrina foi perseguido e preso por populares. No dia 5, um comerciante atirou contra uma dupla de assaltantes e feriu um numa tentativa em um semáforo na zona oeste.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, declarou não ser aconselhável a reação da vítima e o melhor a fazer é acionar a polícia. ''Não há crime quando o agente pratica o ato em legítima defesa, mas se o elemento surpresa é do bandido não se deve reagir'', ressaltou. Ele descartou a possibilidade das vítimas estarem reagindo porque estão se sentindo mais inseguras. ''Não acredito nisso'', completou.


