Vítimas emprestaram carro de amigo
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segunda-feira, 23 de setembro de 2002
Mônica Kaseker<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Renault Megane, que explodiu na madrugada de anteontem, no centro de Curitiba, matando quatro adolescentes entre 16 e 18 anos, e conduzido pelo menor G.R.M.C., 16 anos, pertencia a mãe de outro rapaz, que não saiu com o grupo. A proprietária I.R.A.F estaria viajando ao exterior e o marido dela, E.F., não teria visto o grupo pegar o veículo. Segundo informou à polícia, ele teria saído antes dos garotos. De acordo com suas informações, os menores não teriam estado bebendo em sua casa.
A família do menor G.R.M.C. não permitiu que o Hospital Evangélico divulgasse boletim médico informando o estado de saúde dele. A Delegacia de Delitos de Trânsito vai continuar investigando a questão da responsabilidade penal, no caso dos adultos envolvidos. ''Vamos apurar se houve consentimento de maiores de idade para que eles pegassem o carro. E existe ainda a culpa ''in vigilandum'', ou seja, por descuido de um adulto'', explica o delegado Adonai Armstrong. Dois soldados da Aeronáutica, que testemunharam o acidente, disseram à polícia que o motorista do carro parecia estar bêbado e teria tentado fugir do local.
G.R.M.C. continua no Hospital sob custódia da Polícia Militar. Dois PMs fazem a guarda dele. A Delegacia do Adolescente, segundo o delegado Vilson Toledo, só entra no caso quando o menor for entregue pela PM. O jovem deverá ser autuado em flagrante por homicídio culposo e encaminhado para o Juízo da Infância e Juventude, com pena prevista de até três anos de reclusão.
O desembargador Otávio César Valeixo, que há 25 anos trabalha e pesquisa sobre trânsito, fez uma avaliação sobre a questão dos menores ao volante. Segundo ele, na década de 80, quando a frota de veículos era um terço do que é hoje, os menores matavam 2000 pessoas por ano em acidentes de trânsito, o que corresponde a cerca de 10 mil inválidos. Raríssimas vezes, os adultos que cederam o carro foram responsabilizados penalmente.
''Não posso comentar casos específicos, mas posso dizer que há responsabilidade por parte do proprietário do veículo, ou de quem entregou o veículo ao menor. Há também a questão da educação. Como um menor aprendeu a dirigir? Quem o ensinou, o fez contrariando as leis brasileiras'', explicou. A responsabilidade dos adultos é pela ação e também pela omissão, disse ele. ''As chaves do carro constituem uma verdadeira arma. Os adultos devem ter o cuidado necessário para que não sejam usadas indevidamente'', completou.
Ontem, os 198 alunos do terceirão do Colégio Santa Maria, onde os rapazes estudavam, não tiveram aulas. No início da manhã e da tarde, os demais alunos do colégio fizeram orações e um minuto de silêncio pelos colegas mortos no acidente. Hoje, antes de reiniciar as aulas normalmente, os alunos do terceirão serão reunidos no auditório do colégio para uma reflexão sobre o caso.


