Vítimas do Palace lançam jornal no Rio de Janeiro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de janeiro de 1999
Agência Folha 
Ex-moradores do edifício Palace 2, no Rio de Janeiro, estão lançando o jornal Palace 2 - A Tragédia que Não Pode Ser Esquecida, que conta a atual situação das 130 famílias que perderam tudo no desabamento do prédio. O edifício, que ficava na Barra da Tijuca, desabou parcialmente em 22 de fevereiro de 1998. Oito pessoas morreram. Dias depois, foi implodido.
O jornal, produzido pela Associação das Vítimas do Edifício Palace, tem 16 páginas, tiragem de 30 mil exemplares e é mensal. Ele começou a ser distribuído gratuitamente sábado nas praias cariocas e condomínios. O custo foi pago por anúncios e pela associação. A presidente da entidade, Rauliete Barbosa Guedes, anunciou que o jornal terá um encarte em inglês para ser distribuído aos turistas durante o Carnaval.
Quase um ano depois da tragédia, as vítimas não foram indenizadas. Cerca de 60 famílias ainda moram em quartos de hotéis, pagos pela construtora Sersan, responsável pela obra. Eles só pagam diária e café da manhã. O resto é por nossa conta. Imagina como é uma família inteira morando em quarto de hotel, amontoada, dormindo em colchonetes.
Segundo Rauliete, o jornal tem tido boa receptividade. As pessoas ficam revoltadas. A memória é curta, mas é preciso que as pessoas não esqueçam desse caso para que outros Sérgio Naya (ex-deputado, dono da Sersan) não apareçam. O jornal também está sendo enviado para o Senado, Câmara dos Deputados e autoridades em Brasília e no exterior.
Os textos contam a luta dos ex-moradores para receberem indenizações, histórias pessoais e prestam contas das doações recebidas e do andamento das ações judiciais contra Naya. Uma das reportagens descreve a emoção dos ex-moradores com a cassação de Naya pelo Congresso e sua expulsão do PPB. Em artigo, a psicóloga e ex-moradora do Palace Eni Peniche analisa os traumas causados pela tragédia.


