Vítimas do golpe da pirâmide insistem no ressarcimento
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quinta-feira, 17 de outubro de 2002
Gilmar Agassi<br> Equipe da Folha 
Cascavel Os proprietários da empresa CRT Viver & Viver, de Toledo, acusada de ser responsável pela organização de uma pirâmide de dinheiro que pode ter lesado mais de 70 mil pessoas no País, ainda não pagaram as dívidas aos consumidores. Uma audiência foi marcada para anteontem, mas os proprietários da empresa não compareceram. Somente um advogado esteve no Fórum e alegou que não havia interesse em fazer acordo.
Uma nova audiência de conciliação entre os consumidores, que ingressaram com ações de restituição financeira e danos morais no Juizado Especial de Pequenas Causas, e a empresa deverá ser realizada em 18 de março de 2003. A data foi definida pelo juiz Antônio Carlos Schiebell Filho, em audiência que contou com a presença de aproximadamente 200 pessoas.
Os empresários terão 15 dias para apresentar defesa, enquanto os contribuintes terão mais 10 dias para dar novas provas. A nova audiência reunirá ações atuais e outras que sejam abertas no período. Pelo menos 345 pessoas já entraram com ação pedindo a rescisão contratual acumulada e a devolução dos valores pagos na aquisição dos bônus que variam de, no mínimo, R$ 150,00 e, no máximo, R$ 5 mil por pessoa.
Clarice Richetti, integrante da Associação Vida Nova (Abravin), formada por pessoas lesadas pela empresa, diz que a expectativa é de que nos próximos dias um grande número de pessoas entre com ações na Justiça para garantir o ressarcimento dos recursos investidos. A Abravin está fazendo um trabalho descentralizado em vários Estados, colocando uma equipe de advogados à disposição dos interessados.
A CRT Viver & Viver encerrou suas atividades em julho de 2000. Os proprietários alegavam, primeiro, vender seguros de vida e depois revista, com cada cota custando R$ 150,00. Milhares de pessoas se interessaram pela promessa de em oito meses receber até R$ 109 mil por cota, de restituição do seguro, e R$ 14 mil da revista. A pirâmide pode ter movimentado mais de R$ 15 milhões em menos de dois anos de existência.


