'Vítimas' do fechamento escreverão 75 mil cartas
Valmir Denardin
Moradores de 17 municípios das regiões Oeste e Sudoeste do Estado vizinhos ao Parque Nacional do Iguaçu haviam escrito, até ontem, cerca de 50 mil cartas ao presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo o assessor de imprensa do Movimento Amigos do Parque, Sadi de Oliveira, o objetivo é atingir 75 mil, até o final da semana.
As cartas seguem dois modelos. O primeiro já vem com a mensagem impressa, destacando que a Estrada do Colono há 75 anos serve de ligação entre os povos das duas regiões. O remetende só escreve seu nome e o do município onde vive. Esse modelo é o preferido por comerciantes, agricultores e donas de casa.
No segundo modelo, adotado pelos estudantes, há espaço para que a mensagem seja escrita a mão. De acordo com Oliveira, 90% das cartas são desse tipo. Os envelopes de todas as correspondências são manuscritos, para que os organizadores possam se beneficiar do sistema de Carta Social.
Por meio desse serviço dos Correios, a postagem custa apenas R$ 0,01 por carta. No sistema convencional, o selo custa R$ 0,20. Todas as despesas - incluindo os envelopes, os formulários e a postagem - estão sendo pagas pelo Movimento Amigos do Parque, que reúne as 17 prefeituras das duas regiões envolvidas na causa.
Segundo Edson Filipin, secretário de Obras de Serranópolis do Iguaçu (95 quilômetros a leste de Foz do Iguaçu), as despesas com a campanha somam R$ 3,5 mil. O dinheiro sairá do caixa da associação, que é alimentado pelo pedágio ilegal cobrado dos usuários da estrada.
São R$ 5,00 por veículo de passeio; R$ 10,00 por caminhão sem carreta; e R$ 15,00 por caminhão com carreta. Esses valores incluem a travessia de balsa do Rio Iguaçu, em Capanema (112 quilômetros a oeste de Francisco Beltrão). O movimento não divulgou o valor obtido desde a abertura, em 11 de janeiro de 98.
As prefeituras da região montaram postos de coleta de assinatura de mensagens. A gente pede e todo mundo colabora, disse a recepcionista da Prefeitrua de Serranópolis do Iguaçu, Sueli Frare, de 20 anos. Nas escolas, os professores orientam seus alunos para escrever as cartas.





