Indenização é o que os familiares que perderam parentes e os proprietários dos apartamentos destruídos do edifício Atlântico ainda aguardam desde 28 de janeiro de 1995, quando o prédio desabou em Guaratuba. Na tragédia, 29 pessoas morreram. As vítimas esperam uma reparação do engenheiro Ney Baptista Torres, dono da construtora. Ele foi acusado de construir o edifício fora dos padrões técnicos.
Passados três anos e oito meses, os ex-donos dos apartamentos estão insatisfeitos com a postura de Torres para tentar chegar a um acordo. ‘‘Ele está fazendo alguma coisa porque está sendo forçado a isso’’, afirma o promotor de Justiça Sérgio Renato Sinhori, que integra um grupo de 12 pessoas que reivindicam indenizações pelos apartamentos que perderam. Ney Torres já transferiu dois apartamentos, dois terrenos e duas lojas para os condôminos, mas o valor representa apenas um quinto do valor devido, segundo Sinhori.
O ex-síndico do edifício Atlântico, Alcyon Pires Gomes Júnior, diz que existe ‘‘um acomodamento dos responsáveis pela tragédia’’. Ele acredita que as indenizações só devem sair diante da pressão que Torres está sofrendo dos ex-proprietários. Desde outubro de 1996, Torres e outros dois indiciados em inquérito policial por homicídio culposo (o filho Luiz César e o mestre de obras César Luiz da Silva) têm de se apresentar no cartório criminal do Fórum de Guaratuba a cada dois meses. Ainda este ano, o Ministério Público analisa se o processo será arquivado.

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