Vítimas do acidente em Pitanga são sepultadas
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sábado, 21 de outubro de 2006
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
''Minha mãe foi sempre muito lutadora, tinha um coração muito grande. Sempre se destacou pela capacidade de interagir com as pessoas. Ela foi fundamental na minha formação'', desabafou Wilson Roberto da Silva, filho da pedagoga Maria Moreira da Silva, 59 anos, que faleceu na tarde de anteontem, vítima do acidente que envolveu um ônibus da empresa Vinsa que levava 32 servidores ligados aos núcleos regionais de Educação (NREs) de Londrina e de Apucarana para um curso de capacitação em Faxinal do Céu, município de Pinhão (40 km ao sul de Guarapuava).
Maria trabalhava na biblioteca da Colégio Estadual Professor Malvino de Oliveira, em Porecatu, e há um ano intensificou seus estudos para manter-se atualizada na profissão, segundo Wilson. Além dele, ela deixa o marido Aldevino da Silva, as filhas Marli e Dirlei e quatro netos. Seu corpo foi velado pela família e amigos da comunidade evangélica, na capela municipal, e no final da tarde, seria levado para Dracena, no interior de São Paulo, onde seria enterrado próximo às filhas, que moram na cidade.
As famílias de Rosangela Maria Kosan Angelo, 43, e Neuza Maria Reis Afonso, 53, velaram juntas os corpos das zeladoras de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), que também estavam no acidente. Um dos irmãos de Rosangela, Valter Kosan, contou que ela era casada, tinha dois filhos e trabalhava há mais de 15 anos no Ginásio Monteiro Lobato. ''Ela estava super feliz em viajar'', lamentou. Neuza Afonso trabalhava como zeladora no Colégio Estadual Machado de Assis era casada e tinha dois filhos, segundo o irmão José Antonio Reis.
Em Londrina, parentes e amigos velaram, na tarde de ontem, o corpo da assistente administrativa Noeli Fatel Barbosa, 57, no cemitério Parque das Oliveiras. Iracema Gozlen trabalhava com Noeli na Escola Estadual Fernando Barros Pinto desde 1992. ''Ela era uma pessoa ótima, boa de coração, gostava das coisas certinhas e era bastante extrovertida'', relembrou a companheira de trabalho.
A irmã Dinalva Fatel e a sobrinha Ellen Fatel contaram que o marido João Milton e dois dos três filhos de Noeli foram à Pitanga buscar o corpo. ''Nós soubemos apenas pela tevê'', afirmou Dinalva.
O ônibus que levava os servidores foi atingido por uma carreta no km 170 da PR-466, a cerca de 12 km de Pitanga (88 km ao norte de Guarapuava), no início da tarde da última sexta. Cinco pessoas morreram, entre elas o motorista do ônibus, Ronaldo Alves Correia, 30, e outras 28 ficaram feridas. Nove pessoas passaram a noite no Hospital São Vicente, em Pitanga, mas foram liberadas ainda ontem pela manhã.
O acidente aconteceu num trecho de curva em declive. Conforme testemunhas, a carreta, com placas de Campo Mourão, teria invadido a pista contrária e atingido a frente e a lateral direita do ônibus com a carroceria, que estava carregada com milho. Com o impacto, parte da carga caiu sobre os passageiros. Segundo o investigador da Polícia Civil de Pitanga, Mauro Rechi, o condutor da carreta, Juarez Coreia da Silva, que teria fugido do local na hora do acidente, foi autuado em flagrante na noite de anteontem, pagou fiança e foi liberado pelos policiais.
Aulas suspensas - A Secretaria Estadual de Educação, por meio da assessoria de imprensa, informou que o governo do Estado declarou luto oficial de dois dias em homenagem às vítimas do acidente. Não haverá aulas nos colégios estaduais amanhã e na próxima terça-feira.


