Os estudantes Thiago Garcia Fonseca e Celso Garla Filho, ambos de 18 anos, prestaram depoimento ontem na 10 Subdivisão Policial (SDP) sobre o sequestro do qual foram vítimas, ocorrido entre os dias 1º e 5 deste mês. Embora não tenham acrescentado novas informações ao que já haviam dito informalmente à Polícia, os depoimentos contribuíram para um maior detalhamento do cativeiro. O amigo que deu carona aos estudantes quando foram libertados deve ser ouvido nos próximos dias.
Fonseca chegou à 10 SDP por volta das 9h30, acompanhado pelos pais. Durante cerca de 3h30, os três permaneceram na sala do delegado-operacional Sérgio Luiz Barroso. Na saída, aparentando bastante nervosismo, nenhum deles quis falar com os jornalistas. ''Ele continua abalado com o sequestro, mas não encontramos nenhuma contradição entre o depoimento de hoje e as declarações informais dadas no fim do sequestro. O pai dele (o empresário Sérgio Fonseca), disse não ter recebido qualquer ligação da quadrilha'', explicou Barroso, lembrando que o pai da segunda vítima (o advogado Celso Garla) é quem teria mantido contato com os sequestradores.
O segundo depoimento foi às 16 horas e se estendeu até às 18h30. Garla Filho estava acompanhado do pai e os dois também não deram declarações à imprensa. Segundo Barroso, o estudante detalhou melhor os dias passados no cativeiro. De acordo com o delegado, o estudante contou que, em certo momento, a quadrilha se desentendeu. Noutro, teriam dito que ''estavam sem dinheiro e que havia muita polícia no caso''. O estudante relatou que, no dia em que foram soltos, ele e o colega foram ameaçados de morte. Garla Filho disse ainda que ele e o colega escreveram três bilhetes para suas famílias, a mando dos sequestradores, que não foram enviados. Thiago Fonseca já havia dito ao delegado que eles faziam contato com apenas dois integrantes da quadrilha. ''Para irem ao banheiro, os sequestradores usavam capuzes'', detalhou o delegado.
Os dois rapazaes foram abordados próximos à universidade onde estudam Direito. Eles teriam sido levados até um matagal onde foram encapuzados e colocados em um porta-malas de outro veículo. Teriam rodado cerca de 40 minutos e parado em um casa, onde foram levados para um quarto. Depois de cinco dias, os dois foram liberados no último sábado sem pagamento do resgate.
Ao ser questionado sobre o não pagamento do resgate, Barroso disse que as investigações evidenciariam ''falta de logística'' para a quadrilha manter um crime como este. ''Houve um sequestro e houve pedido de resgate. O que estamos investigando agora é quem são os autores e o porquê de não terem insistido no pedido de R$ 500 mil.'' A equipe do grupo Tigre, que havia retornado à Curitiba na segunda-feira, foi mandada de volta para Londrina, por ordens expressas do delegado geral da Polícia Civil.

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