Vítimas de roubos oferecem recompensas
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quarta-feira, 23 de novembro de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
A vendedora Maria Francisca de Carvalho, de Siqueira Campos (90 km ao sul de Jacarezinho), nunca pensou que um assaltante vestido com uniforme dos Correios poderia entrar em sua casa e levar cerca de R$ 250 mil em jóias. A microempresária Gessy Onil Gomes da Silva, de Londrina, se assustou quando saiu de uma consulta e não encontrou sua caminhonete estacionada. A impaciência com o trabalho de investigação policial é um ponto comum nesses casos. As duas vítimas resolveram agir por conta própria e oferecer boas recompensas por informações precisas sobre o paredeiro dos assaltantes.
O delegado Manoel Pelisson, da Furtos e Roubos de Londrina, desaconselha esse tipo de prática e enumera uma série de riscos, entre eles o oportunismo de outros bandidos. Ainda assim, oferecer gratificações vem se tornando com o passar do tempo algo cada vez mais comum. A vendedora Maria Francisca aproveitou o retrato-falado do ladrão que entrou em sua casa e espalhou pela região centenas de cartazes oferecendo R$ 30 mil para quem apontar o paradeiro do criminoso.
De acordo com o delegado de Siqueira Campos, Luiz Eduardo Marques, o assalto aconteceu no dia 9 de novembro. O ''funcionário'' dos Correios disse que precisava entregar uma encomenda. Aproveitou para pedir um copo de água. Quando a sogra da vendedora virou as costas, foi rendida pelo ladrão, armado com o revólver calibre 38. A cunhada da vítima também estava em casa. As duas foram trancadas no banheiro, enquanto o assaltante pegava as jóias e fugia. ''Uma testemunha viu ele fugindo em um Monza verde, mas não conseguimos encontrar o carro, apesar das barreiras montadas na região'', disse o delegado.
O furto da caminhonete, uma S-10 diesel, cabine dupla, azul marinho, com placas HRN-6253, é mais recente. Aconteceu domingo passado, na Rua Alagoas, perto da Santa Casa de Londrina. Gessy estacionou por volta das 17 horas e entrou no hospital. Duas horas depois, o utilitário não estava mais lá. Registrou queixa, mas decidiu optar também pela recompensa: R$ 5 mil. ''Eu sei que a polícia tem muitas ocorrências para atender, não pode ficar só no meu caso'', justificou. A microempresária disse que negocia até mesmo com os ladrões. ''Não precisa se identificar, não aviso a polícia. Só quero minha caminhonete de volta.''
Pelisson adverte que as vítimas podem se prejudicar ainda mais ao se expor desse jeito. ''Isso pode chamar a atenção de outros bandidos, que podem se aproveitar e roubar a vítima pela segunda vez'', ponderou. O delegado não analisa esse tipo de postura como desconfiança ao trabalho da polícia. ''Vejo mais como impaciência. A vítima que resolver logo e ter seu bem de volta. Mas a polícia trabalha com provas, coisas concretas e não pode ficar acusando do nada.''
No caso do roubo das jóias, o telefone de contato é o da própria polícia da cidade: (43) 3571-1202. Quem tiver informação sobre a caminhonete, falar com a Gessy pelos fones (43) 9991-3158 ou 3328-1136.


