Vítimas de próteses são indenizadas
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segunda-feira, 03 de maio de 1999
Lúcio Horta 
Um grupo de mulheres londrinenses já está recebendo parte das indenizações relativas aos problemas provocados por prótese de silicone. Começaram a chegar os primeiros cheques, todos no valor de US$ 5 mil, provenientes de três empresas norte-americanas: Bristol, Baxter e 3M. Os valores finais estão sendo definidos individualmente, de acordo com a gravidade de cada caso.
A advogada Fabiane Norah Schnaid, que representa um grupo de 40 mulheres em Londrina, disse que ainda não é possível definir o número exato de quantas mulheres serão beneficiadas nesta primeira fase das indenizações. Um dos motivos é que em muitos casos não foi possível definir exatamente de qual empresa partiu a prótese implantada na cliente.
Já os valores das indenizações poderão variar entre US$ 5 mil e US$ 200 mil. Ou seja, quem começou a receber agora poderá ou não ter complemento de indenização. Prosseguiremos na ação para receber os valores complementares, disse.
As negociações - que envolvem aproximadamente 70 fabricantes de próteses de silicone e 700 mil mulheres de mais de 100 países - foram propostas pelas próprias empresas, em 1994, depois que ações individuais, e com valores muito altos, começaram a ser decididas na justiça em favor das pacientes. Somente duas mulheres, lembra a advogada, tiveram sentença favorável em US$ 60 milhões. Por isso, as empresas resolveram entrar em acordo com todos.
A advogada informou que a pessoa que passou por um implante de prótese e ainda pensa em ser beneficiada por esse acordo global, como vem sendo chamado, tem prazo de até 15 de junho para entrar com ação. Depois deste prazo, será possível somente ações indenizatórias individuais - mais caras e demoradas.
Ana Maria (nome fictício) foi uma das primeiras pessoas de Londrina a receber esta semana o cheque de US$ 5 mil das empresas norte-americanas. Ela recorda que fez o implante de silicone há quase 10 anos e os problemas surgiram logo em seguida: a prótese de um momento para outro ficou dura e Ana Maria não podia nem mesmo dormir de bruços. A dor também era intensa e só foi contornada às custas de muito remédio.
Depois de trocar a prótese, os problemas diminuíram, mas Ana Maria diz que esteticamente ainda não ficou como ela esperava. Sobre o valor que recebeu esta semana, de US$ 5 mil, comentou que não cobre nem mesmo as despesas de médico e viagem que teve nesses 10 anos. Por isso, espera receber um complemento. Nunca imaginei que o transplante pudesse dar tanto problema.


