Cada habitante do parque tem uma história que o levou a ser recolhido, na maioria dos casos, pelo Ibama ou pela Polícia Ambiental. ''Hoje, estamos restringindo ao máximo receber mais animais devido à estrutura física'', diz o supervisor florestal Sérgio Adão Filipaki.
Deste total, 14 são aves, oito são mamíferos e um réptil. Felizmente, nove deles já foram reintroduzidos na Fazenda Monte Alegre, que abrange uma área total de 126 mil hectares.
Segundo a veterinária Carmem Hilst, de Londrina, 50% dos animais capturados não resistem aos ferimentos ou ao estrese. ''O estresse do animal frente à captura pode causar morte. Por isso o trabalho de recolhimento deve ser muito cuidadoso'', afirma ela.
Em relação ao recolhimento de animais silvestres em perímetro urbano, Carmem observa um aumento significativo nos últimos cinco anos. De acordo com ela, isso se deve a uma mudança de comportamento. ''Eles perderam um pouco do medo e estão buscando alimentos fora da mata. Isso porque as cidades estão invadindo o espaço deles'', diz.
Ao relembrar algumas histórias de captura, a veterinária se recorda de uma, em especial. Ela conta que um tamanduá foi vítima de agressão humana. Ele sofreu cortes de facão nos tendões das patas e estava muito debilitado. ''Ele foi atendido no hospital, mas perdeu o movimento das garras. Isso é muito triste'', lamenta.
Quando a reportagem esteve no parque, a veterinária fazia curativos no gavião carcará, que foi encontrado por populares, há cerca de um mês, nas proximidades do Lago Igapó I, em Londrina. O animal teve uma lesão na musculatura da asa direita, que teve de ser amputada. (M.O.)

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