Bancários vítimas de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) se reuniram ontem de manhã na Boca Maldita e foram às principais agências do centro de Curitiba para alertar sobre o problema.
Hoje, os bancários são os profissionais que mais sofrem com as LER - representam 50% das pessoas atingidas, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde. Dos 17 mil bancários de Curitiba e Região Metropolitana, 5.610 (33%) têm LER.
Na opinião da bancária Tania Cardoso, 37 anos, afastada do trabalho por causa de lesões há dez meses, muitas pessoas têm a doença e continuam a trabalhar por medo de demissão ou perda de função.
O Sindicato dos Bancários quer negociar com as agências o cumprimento da Norma Regulamentadora 17, que determina a pausa de dez minutos a cada 50 trabalhados para os funcionários que lidam com entrada eletrônica de dados.
Segundo o presidente do sindicato, Pedro Eugênio Leite, apenas a Caixa Econômica Federal decidiu regulamentar a determinação, mas ainda está com dificuldades de implantação. ‘‘O problema é gerencial, pela preocupação com a produtividade, e até do próprio caixa que não dá importância por não ter os sintomas’’, disse Leite.
A ergonomia é outro ponto de reivindicação dos bancários. A agência do HSBC da Rua João Negrão e algumas agências da Caixa Econômica Federal estão começando a adotar os padrões ergonométricos.
Afastamento - Adailsa Medeiros, 40 anos, está afastada há cerca de dois anos da profissão. Depois de ter trabalhado durante 13 anos no Banco do Brasil - dois como digitadora e oito como caixa - começou a ter amortecimento na ponta dos dedos da mão direita e dor no ombro. ‘‘O que me matou foi a altura do guichê do caixa’’, afirmou.
Hoje Adailsa está com os braços, as mãos, a coluna vertebral e os joelhos comprometidos. ‘‘A gente só acumula perdas. A minha profissão acabou, não tenho esperanças de voltar’’, disse. Adailsa também era professora de educação física e pintava quadros. Hoje, não pode fazer mais nada disso.
Adailsa disse que precisa contar com os dois filhos que moram com ela. ‘‘Depois que fui afastada, minha renda diminuiu. Uma das minhas filhas foi morar com o pai e a pensão também ficou menor’’, afirmou. ‘‘Hoje, ganho 50% a menos.’’ Além da parte financeira, Adailsa disse que depender dos outros é muito ruim. ‘‘Até na hora do lazer, você acha que está atrapalhando.’’

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