Ney de SouzaRemédio fatalAparecida Lima e a foto do filho, morto por causa de medicação errada; órgãos apuram 28 casos de omissão, negligência e erros envolvendo médicos e hospitais da cidadeO precário sistema na saúde pública em Foz do Iguaçu traz a reboque os casos de omissão de socorro, negligência e erros médicos. O Fórum, Secretaria Municipal da Saúde e a Polícia Civil apuram 28 casos envolvendo médicos e hospitais da cidade. Os pacientes e familiares chegaram a abrir a Associação das Vítimas de Erros Médicos, que funciona como um braço do Centro de Direitos Humanos.
No ano passado, com várias denúncias, o promotor José Aparecido Cruz, determinou uma devassa nos hospitais da cidade, interditou parte de duas clínicas e mandou que outras se enquadrassem no nível de atendimento e seguir recomendações de higiene. Até hoje, nenhum hospital possui certificado sanitário para operar e o promotor foi transferido de Foz do Iguaçu para Maringá.
A dona-de-casa Aparecida José de Lima faz uma campanha solitária para pedir a cassação a licença do médico Rolnei Nandi. O filho Patrício, de dois anos e três meses, morreu em junho de 95 depois de receber uma dose de Optacilin Balsâmico 250mg, receitado pelo médico. ‘‘Quero justiça. Nada vai trazer meu filho de volta, mas quero impedir outras mortes’’, disse.
Em outro caso, a Polícia Civil investiga a morte da funcionária pública Derli Alves, que morreu ao ser retirada da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital de Itaipu no dia 26 de fevereiro desse ano. Sem dinheiro para pagar, ela estava com constantes paradas cardíacas e foi encaminhada para o Pronto Atendimento Médico da Prefeitura.
No local, ela também não pode ser atendida porque não há UTI. Com interferência do delegado Roberto Fernandes, Derli foi encaminhada novamente ao Hospital de Itaipu. Ao dar entrada, ela morreu.
Na última quinta-feira. uma comissão de Sindicância da Prefeitura de Foz demitiu o médico Ruy Esloboda, que atendeu a comerciária Márcia Ferreira da Costa, 20 anos, no dia 16 de fevereiro. Grávida de seis meses, ela ficou 10 minutos no PAM, passou mal e deu à luz no local.
Segundo Márcia, o médico entregou o filho enrolado em um jornal anunciando que a criança estava morta. Sem reservar cuidados, já que o bebê estava morto, a mãe foi internada na Santa Casa para se recuperar. Na noite do dia 17, uma enfermeira avisou Márcia que o filho ainda estava vivo. Na manhã do mesmo dia, recebeu a informação: por falta de cuidados, o menino morreu.
O PAM ainda apura o caso do eletricista Silvestre dos Santos Rodrigues, 40 anos, que sofreu acidente de moto e teve que esperar sete horas em cima de uma maca no Pronto Atendimento Médico. Ele fez denúncia ao Centro de Direitos Humanos.

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