Vítimas de Chernobyl
voltam hoje à Ucrânia
Arquivo FolhaLiudmila Obresmka estava começando a se acostumar com a nova famíliaAs cinco crianças ucranianas vítimas do acidente nuclear de Chernobyl, que há dois meses estão em Curitiba fazendo tratamento de saúde voltam para suas casas hoje num vôo que parte ao meio-dia do Aeroporto Internacional Afonso Pena. Além de melhora sensível na saúde, elas partem para a Ucrânia com o coração apertado de saudades das famílias que cuidaram delas neste período e com as mãos carregadas de bagagem, que dobrou de tamanho com os presentes que receberam aqui.
Não são só as crianças que vão ficar com saudades. As quatro famílias da comunidade ucraniana, que hospedaram as cinco crianças, também já estão sentindo falta dos ‘‘filhos’’ e ‘‘irmãos’’ que fizeram parte de suas vidas por dois meses. ‘‘Nós já estamos preparando os lencinhos para a choradeira’’, diz Andréia de Fátima Basílio Sidyr, 21 anos. Seus pais, um irmão gêmeo e outra irmã de 15 anos hospedaram Liudmila Obresmka, 10 anos, uma garota que chegou tímida ao Brasil, mas que começava a se acostumar com a nova família.
O pai, Estefano Sidyr, foi quem mais se apegou à menina, já que é quem melhor fala ucraniano na família. ‘‘Nós vamos sentir muitas saudades, mas ela já estava ansiosa para voltar. O carinho do pai e da mão deve ser maior do que a vontade de ficar aqui’’, diz.
Já o casal Marcos e Danielle Nogas, que não tem filhos, hospedou Olga, de 8 anos. ‘‘A gente se apega, ela é muito carinhosa, e vamos sentir uma falta tremenda, uma saudade grande’’, diz Marcos. Ele conta que Olga chora de saudades quando fala com seus pais, assim como sua mãe na Ucrânia não vê a hora que ela volte. ‘‘Mas se ela pudesse, ela iria querer trazer sua família para cá e ficar morando aqui’’, diz. Olga volta com o dobro de bagagem, entre brinquedos, roupas, sapatos, presentes para toda a família e até comidas que ela gostou aqui, como a sopa em pacote.
‘‘Houve uma boa melhora no estado de saúde de todas’’, conta o presidente da Representação Central Ucraniano-Brasileira, José Welgacz Junior. Das cinco crianças que chegaram em Curitiba, dia 25 de julho, apenas os dois meninos continuarão com um tratamento mais sério na Ucrânia. Dmitro Mihalovskij, 8 anos, e Maksim Diatchenko, 10, têm leucemia e continuarão fazendo quimioterapia oral, com medicamentos que estão levando daqui. As duas meninas, Liudmila Obresmka e Oksana Poliakova, 9 anos, com leucemia regressiva, estão praticamente curadas. Sem medicamentos, elas terão apenas de fazer exames de acompanhamento por alguns anos. A outra garota, Olga Liupitch, de 8 anos, tinha anemia hemolítica e também está praticamente curada. Agora precisa apenas tomar remédio para manutenção por seis meses.
Essa é a segunda vez que crianças ucranianas vítimas de Chernobyl vêm ao Brasil para fazer tratamento de saúde. Trazidas pela Representação Central Ucraniano-Brasileira, em parceria com o Hospital Evangélico, já está prevista a vinda de mais cinco crianças em outubro. Ajudas para o projeto podem ser feitas através da conta 03800-08 do HSBC Bamerindus, agência 0123. Mais informações são encontradas na Internet, no endereço: www.netbank.com.br/peace. (M.G.)

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