Vítimas de acidente entram com ação
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terça-feira, 08 de abril de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Dois anos depois da queda da marquise externa do anfiteatro do Centro de Estudos Aplicado (Cesa), a Universidade Estadual de Londrina (UEL) reinaugurou o espaço, mas o fantasma da morte de dois estudantes que participavam de um congresso de zoologia no local ainda ronda o campus. Os escombros do incidente permanecem do lado de fora do anfiteatro, por determinação judicial.
O delegado Nelson Águila, responsável pela investigação policial que apura o acidente, informou que o inquérito foi reencaminhado ao Ministério Público em novembro do ano passado e ainda não retornou à Polícia Civil. Conforme Águila, os documentos periciais foram reunidos e indicaram responsabilização nas três etapas de construção da obra: no projeto, na execução e na manutenção.
Para o perito Luís Noburu Marukawa, chefe adjunto da Seção Técnica do Instituto de Criminalística, três fatores foram responsáveis pelo desabamento da marquise: erro estrutural no projeto, falha na execução da obra e falta de manutenção do prédio. Em junho do ano passado, o Conselho de Administração da UEL aprovou o relatório final da Comissão Interna de Sindicância, o qual apurou que a obra não teve o acompanhamento diário de um engenheiro e a construtora responsável não apresentou no prazo previsto a documentação necessária para a legalização. Segundo a procuradoria jurídica da universidade, o relatório final deverá subsidiar a instituição na busca por reparos judiciais.
A universidade foi citada em três ações que pedem ressarcimento de despesas e indenização por danos morais, ajuizadas por famílias das vítimas. Uma das ações é da família do estudante João César Eugênio de Boscoli Rios, morto no acidente. Além de pedir reparação financeira por danos morais, lucros cessantes e ainda pensão vitalícia, a família quer que a instituição faça vistorias e relatórios periódicos sobre o estado dos prédios.
Conforme informações da procuradoria jurídica da UEL, apesar de ainda não ter sido estabelecida a responsabilidade pela queda da marquise, a universidade tem amparado as vítimas.
Três estudantes ainda recebem atendimento médico; outros dois, que tiveram amputação de membros, estão sendo avaliados para implantação de prótese. Outra estudante, que mora em Curitiba, vem passando por avaliações médicas para realizar cirurgias reparadoras. As despesas pagas até agora pela instituição chegam a R$ 290.236,54.


