Vítimas acharam que os policiais eram assaltantes
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Dary Júnior 
Curitiba
Marcelo AlmeidaYamashita foi baleado pela polícia terça-feira: abordagem irregularAs três vítimas de abordagem policial irregular no bairro Champagnat, na noite de terça-feira, prestaram depoimento ontem à tarde ao delegado especial Jorge Ferreira. O bancário Ronaldo Yamashita, a esposa dele, Priscila, e a amiga do casal, Nilciane Maciel, confirmaram que os agentes do 3º DP de Curitiba não se identificaram antes de disparar contra eles.
Yamashita também revelou que dois carros descaracterizados - um Gol e uma Saveiro - teriam sido usados pela Polícia na abordagem. Nenhum veículo tinha giroflex (luminoso giratório) ou sirene ligados e eram cinco homens, alguns de gorro, assegurou o bancário. Já está certa a participação dos agentes Raul Mattar, Valdomiro Costa, Antônio Lopes e Elias Stephan. O quinto integrante seria o suposto informante Márcio Chyla, relacionado inicialmente como testemunha.
As vítimas comentaram o reconhecimento dos policiais, feito na manhã de ontem. A enfermeira Nilciane Maciel identificou três deles. Ronaldo e Priscila Yamashita, apenas dois. Mas reconheci quem disparou na direção do meu Escort e acertou minha cabeça de raspão, disse o bancário, numa referência a Raul Mattar, que teria atirado com uma pistola 380.
Nilciane aprovou as normas anunciadas pela Secretaria de Segurança Pública após a repercussão do episódio. A moralidade na Polícia é importante para evitar futuras vítimas de erros como o que aconteceu concosco, afirmou.
Na noite da abordagem, ela conversava com o casal em frente de casa quando os agentes apareceram. Os três pensaram que era um assalto e tentaram fugir. Foram duas séries de tiros, coisa que nenhum cidadão pode esquecer, desabafou Yamashita. Os policiais estão à disposição da Divisão Policial da Capital.


