Vítima sofre tentativa de intimidação
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quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Se não bastassem as marcas da violência que ainda estão evidentes em seu corpo, resquício do estupro sofrido anteontem, a vendedora autônoma L.E., 46 anos, e sua família receberam ontem mais um choque. Por volta das 16 horas, dois homens, que se identificaram como policiais, foram até a casa de L.E intimando-a a acompanhá-los até a delegacia para prestar depoimento. Os supostos policiais não vestiam uniformes, estavam em um carro Gol, de cor azul, sem nenhum tipo de identificação, e não apresentaram notificação para o depoimento. Desconfiadas de uma possível retaliação já que a vendedora acusa um sargento da Polícia Militar pelo estupro a irmã e a mãe de L.E não deixaram os dois homens levá-la.
''Achamos tudo muito estranho'', contou a irmã da vítima, que pediu para não ser identificada. A mãe da vendedora, de 69 anos, considerou absurda a situação. ''A minha filha não está nem em condições de andar; era impossível deixá-la ir com eles. Além do mais, estamos com medo da polícia'', disse. L.E, ainda bastante abalada, disse que tem medo de ameaças contra a sua família. ''Já passei por muita dor e prefiro nem falar muito'', declarou.
Na quarta-feira de manhã, L.E. prestou queixa na Delegacia da Mulher e foi encaminhada para o Projeto Rosa Viva, que presta atendimento às vítimas de estupro. Ela também passou por exames no Instituto Médico Legal (IML). O resultado dos exames deve ficar pronto em 20 dias. A coleta de espermatozóides, pêlos ou cabelos do autor do crime podem ajudar na sua identificação.
A escrivã Renilda Neves, da Delegacia da Mulher, disse que a situação de ontem se enquadra em ''tentativa de constrangimento ilegal''. ''O depoimento da vítima está marcado para o próximo dia 30, para que ela possa autorizar a abertura de inquérito, e não solicitaríamos o seu depoimento agora, devido ao seu abalo emocional'', explicou.
O tenente-coronel Rubens Guimarães afirmou ontem que aguardava alguma denúncia formal da família da vítima para tomar providência relativa ao constrangimento da vítima. Os irmãos da vítima iriam fazer a denúncia no final da tarde de ontem. Quanto à denúncia do estupro, Guimarães disse que cabe à justiça comum verificar a sua veracidade. ''Se aconteceu, ele não estava em serviço e portanto, é um problema particular dele'', destacou.


