Vítima persegue ladrões e frustra sequestro
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terça-feira, 29 de maio de 2007
Fernanda Borges e Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Dois assaltantes - um deles é um adolescente de 17 anos - que aterrorizaram uma família na manhã de ontem, na Zona Sul de Londrina, foram presos em seguida ao crime graças a ação de uma das vítimas, que perseguiu o carro onde os bandidos faziam refém o irmão e orientou a Polícia Militar para que fizesse a prisão. A invasão do imóvel na rua Wenceslau Zamuner, no Jardim Esperança, ocorreu por volta das oito horas quando um dos moradores saía de casa para trabalhar.
A mãe, que havia saído meia hora antes do assalto, relatou à FOLHA que os dois assaltantes entraram quando um dos filhos abriu o portão para sair para o trabalho. ''Um vizinho tem câmeras na rua e ficou gravado que os assaltantes passaram duas vezes pela rua. Infelizmente, meu filho foi o primeiro a sair de casa e foi rendido'', observou. Já dentro da casa, eles prenderam pai, um dos dois filhos do casal - de 28 anos - e a empregada num dos quartos enquanto eles recolhiam tudo que podiam levar: TV, DVD, computador, som, telefones celulares, roupas, perfumes e até litros de bebida alcoólica. Segundo a mãe, os assaltantes inclusive trocaram as roupas que usavam por outras peças que roubaram.
Todos os objetos foram colocados em um veículo Golf, de propriedade da família. Na direção do carro, os assaltantes usaram o caçula da casa, que dirigiu o tempo todo ameaçado por um revólver. ''Meu outro filho mais velho arrebentou a porta do quarto, pegou a chave reserva do outro carro e foi atrás deles, em direção ao Conjunto Jamile Dequech. Ele viu o Golf e percebeu que tinha uma viatura da PM no Posto Formigão. Ele pediu ajuda mas o carro estava consertando um pneu. Meu filho continuou acompanhando sem ser visto até que outras viaturas da PM chegaram e prenderam os assaltantes'', detalhou a mulher. A prisão aconteceu na PR-445. A dupla foi encaminhada para o 4º Distrito Policial e é suspeita de ter participação em outros crimes.
O filho que foi usado como refém contou à mãe que os dois assaltantes faziam piadas dentro do carro. ''Davam risada, conversavam e jogavam perfume um no outro''. Um deles chegou a abrir uma garrafa de whisky e beber, durante a fuga. A idéia da dupla era amarrar o refém em um matagal. Enquanto um deles permaneceria vigiando o rapaz, o outro descarregaria o carro e voltaria para fazer saques em caixas-eletrônicos.
A família reside no imóvel há 15 anos e esta foi a primeira vez que sofreu um assalto. Chocada com a ação dos bandidos, ela disse que a principal preocupação de todos era com o marido dela, de 60 anos, que é cardíaco. ''Há muito pouco tempo, aconteceu a mesma coisa com um vizinho nosso aqui da rua'', reclamou. Mesmo assim, ela elogiou o trabalho da Polícia Militar.
Para a vítima, o problema da violência é ''muito complexo, porque envolve vários fatores'', como famílias desestruturadas, carência de perspectivas para os jovens, falta de ação dos governos. ''Tudo isso gera essa fragmentação nas famílias e, infelizmente, esse abismo gera outros. Falta Deus, falta amor, falta assistência, falta igualdade'', desabafou.


