Londrina - Queimaduras causadas por acidentes de trabalho também estão entre as ocorrências comumente atendidas pelo Centro de Tratamento de Queimados do HU. Não há estatísticas precisas sobre esse tipo de atendimento, mas o contato com produtos químicos ou com fios de energia elétrica estão entre as principais causas.
É o caso do soldador Renato Medeiros Sanches, de 24 anos. Com uma das mãos enfaixadas, ele conta o que aconteceu no dia 17 de abril em Tapejara (Noroeste). "Eu estava colocando uma calha quando ela encostou na rede elétrica. Eu fiquei acordado o tempo todo e senti passar a corrente. A vista ficou embaralhada. Enxergava tipo uma televisão quando fica chuviscando. Depois que parou, caí no chão e apaguei. Não lembro o que aconteceu depois", relatou.
Roni Aparecido da Silva também tenta se recuperar do trauma causado por um acidente de trabalho. Há três meses, o jovem teve 46% do corpo queimado. O servente de pedreiro tem 23 anos e mora em Santa Cecília do Pavão, a 77 quilômetros de Londrina. Minutos antes do acidente, ele e um companheiro de trabalho haviam espalhado pelo chão da obra um tipo de cola especial para fixar pisos de borracha. No entanto, o produto inflamável foi ativado por cinzas de cigarro. "Eu fumo e tinha mais gente que fumava também. Acendi um cigarro e explodiu", contou.
O rapaz foi levado para o hospital. Já o colega de trabalho sofreu queimaduras nos braços, mas sem gravidade. Após ser atendido por médicos de São Sebastião da Amoreira e Cornélio Procópio, Roni foi transferido para o HU de Londrina. As marcas das queimaduras estão espalhadas por todo o corpo do rapaz, desde o rosto até as pernas. Foram quase dois meses de internação até que o servente de pedreiro pudesse voltar para casa com a família. "Preciso evitar o sol e faço fisioterapia três vezes ao dia para recuperar os movimentos. Fiquei entre a vida e a morte. Ainda bem que continuo vivo", comemorou.
O tratamento continua. A cada dez dias, Roni retorna com os parentes para o HU de Londrina. Ele cultivou amizades no CTQ e fez questão de fazer uma visita aos pacientes e profissionais da enfermaria no início da semana. "Eu cheguei entre a vida e a morte. Minha recuperação está boa. Quero voltar a fazer o que eu fazia. Quero voltar a trabalhar com trator. Foi um minuto de bobeira. Eu não tinha preparação técnica", confessou.(V.C.)

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