Vítima escapou por sorte
É possível dizer que a sorte esteve ao lado do técnico de laboratório Edson Santana da Silva, 40 anos, no dia da tragédia. Principalmente porque ele estava ao lado do estudante João César Eugênio de Boscoli Rios no momento da queda da marquise. E só conseguiu escapar porque viu a estrutura ruindo e teve tempo de correr.
A água que estava acumulada na estrutura, que pode ter contribuído para a queda, ajudou a salvar a vida do funcionário da universidade. Ele conta que foi atingido e jogado para frente, o que evitou que fosse atingido em cheio por destroços do prédio.
Pedaços da marquise acertaram o tornozelo de Silva, que teve fratura exposta e 18 escoriações na perna, cintura, ombro e cabeça. Os ferimentos levaram a vítima a passar por internação de oito dias no Hospital Universitário. Os pinos implantados na perna direita foram retirados em novembro. A maior lembrança dele é que os curiosos que ajudavam no socorro pediam para que ele não se mexesse. Naquele momento, o técnico ainda não tinha uma noção exata da gravidade do acidente.
''Estava caído na grama com a perna sangrando muito. Duas estudantes também estavam caídas do meu lado. Não dava para saber quantas pessoas estavam ali embaixo. Lembro que comecei a movimentar o pé e os dedos, a perna sangrava muito''.
O afastamento do trabalho durou 90 dias. Foi um período de sessões intensas de fisioterapia. Ainda hoje, Edson da Silva sente dores no tornozelo, onde carrega a cicatriz do desastre, e tem certa dificuldade na hora de levantar. Mas as marcas parecem ser apenas físicas, uma vez que o trauma não incomoda o técnico de laboratório.
A bolsa que usa para trabalhar é do próprio Congresso de Zoologia. Nela, o técnico carrega ainda os pinos retirados do tornozelo. Passar pelo local do acidente, que permanece intacto por força de decisão judicial, também não o perturba.
Segundo ele, não era possível nem imaginar que a estrutura fosse ruir, apesar das infiltrações estarem visíveis. ''A única coisa que dá para ter certeza é que o problema foi serviço mal feito. Não sou eu quem vai dizer de quem foi a culpa'', afirma Edson da Silva, que acrescentou que pretende analisar a possibilidade de pleitear indenização na Justiça. Mas apenas depois da Justiça definir quem é ou quem são os culpados pela tragédia.





