O corpo da ginecologista Keila Bressan, 31 anos, morta no acidente do vôo 1907 da Gol, foi enterrado ontem, em Cornélio Procópio, no Cemitério Municipal. Dezenas de familiares e amigos compareceram ao local para prestar a última homenagem à médica, identificada no sábado à tarde através das impressões digitais.
Apesar da dor, a família de Keila se sentiu aliviada em ''reencontrá-la''. ''A tortura durante esses últimos dias foi grande, queríamos que ela fosse encontrada logo e que viesse para cá, para prestarmos nossa última homenagem'', disse Antônio Carlos Bressan, pai de Keila.
Bastante emocionado, ele contou que o apoio dos amigos e da família foi comovente durante toda a semana, mas principalmente ontem. Bressan destacou que Keila sempre foi uma pessoa carinhosa e que deu muitas alegrias à família, e que a dor de perdê-la foi muito grande, mas tem certeza de que tudo o que ela tinha que fazer enquanto viveu, ela fez.
Como lição desse acidente, Bressan ressaltou que ficou a certeza de que os pais têm que amar seus filhos e vice-versa. ''Quero dizer aos pais que amem os seus filhos, lhe dêem atenção, carinho, conversem com eles, e que os filhos façam o mesmo. Só nesses momentos é que percebemos como os amamos. Eu e minha esposa sempre tivemos essa relação com a Keila e com as nossas outras duas filhas, a Kaísa e a Janaina''. Na quinta-feira, dia 12 de outubro, a família pretende realizar, em Cornélio, uma missa póstuma em homenagem à Keila.
Agora, a família continua orando e esperando por notícias do noivo de Keila, Oscar de Jesus, e da mãe dele, Rute de Jesus, que estavam juntos no vôo. Até o final da tarde de ontem não haviam sido identificados. ''Estamos também preocupados com eles, pois já faziam parte da nossa família'', comentou Bressan.
Segundo ele, o atendimento da Gol aos familiares foi exemplar. ''No início havia uma certa morosidade, informações desencontradas, muita especulação. Mas nos últimos dias deram toda a atenção'', destacou. A irmã da médica, Kaísa Bressan, foi para Brasília no dia seguinte ao acidente, para acompanhar de perto o trabalho de resgate. Por enquanto, a família não pretende entrar com pedido de indenização. ''Na verdade, queríamos nossa filha de volta viva. Mas queremos que seja feita uma investigação apurada para saber se o acidente foi causado por falha mecânica ou humana. Ninguém traz os 154 passageiros de volta, mas o acidente pode servir de exemplo'', completou.

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