A primeira vítima a denunciar o calote do Telebingão Milionário continua sem receber o prêmio. Márcia Aparecida Marques Francescon, 26 anos, ganhou uma caminhonete em dezembro de 99 pelo sorteio da TV mas até ontem havia recebido apenas um cheque sem fundos. Márcia trabalha como autônoma em Foz do Iguaçu e já viajou várias vezes a Curitiba para tentar receber o prêmio. ‘‘Compareci em duas audiências, marcadas pelo Procon, juntamente com outras 29 pessoas. Por enquanto, nada foi resolvido’’, comentou Márcia. Os encontros foram agendados pessoalmente pelo coordenador do Procon no Paraná, Tércio Alves de Albuquerque, nos dias 9 de agosto e 12 de setembro.
Para a primeira audiência, foi convocado o empresário Luiz Batista, responsável pela Olho Vivo Publicidade, Produção e Promoção Artísticas Ltda (responsável pelo TeleBingão). Já na segunda, foram chamados representantes da Associação Banestado, que teriam realizado um convênio para promover o bingo no Estado por meio do Serviço de Loterias do Paraná (Serlopar). ‘‘Nenhum dos representantes compareceu. Acho que o leilão do banco também está fazendo a diretoria empurrar o caso com a barriga.’’
A Folha registrou a denúncia de Márcia no dia 29 de fevereiro, data em que mostrou a cartela sorteada número 11.983 e um cheque no valor de R$ 16,5 mil, oferecido no lugar do veículo. No verso do cheque constava o carimbo de ‘‘conta cancelada’’.
Enquanto não recebe o prêmio e nem é indenizada pelo calote, a moradora de Foz continua andando com seu carro batido, ano 1979. ‘‘Preciso do dinheiro para ajudar minhas duas filhas e quero uma solução. Não deixarei que o caso acabe em pizza.’’

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