Mário CésarAbandonoMaria de Lourdes Graciano: ‘Eles estavam me matando aos poucos’Maria de Lourdes Graciano da Silva, 43 anos, foi ouvida anteontem à tarde pela juíza da 2ª Vara Criminal de Londrina, Lídia Maejima. O irmão e a cunhada dela (Manoel Graciano da Silva, 55 anos, e Maria Lúcia de Souza da Silva, 38 anos) respondem a processo por abandono de incapaz. Durante muitos anos eles maltrataram e mantiveram Maria de Lourdes em um local que servia de criação de frangos, em sítio do patrimônio Espírito Santo (zona sul).
A denúncia chegou à subdelegacia do patrimônio em março de 1996. Na época, Maria de Lourdes encontrada em uma área de nove metros quadrados coberta com telhas. O cubículo ficava encostado à casa onde o casal Manoel e Maria Lúcia mora com os três filhos.
Maria de Lourdes estava deitada e enrolada com pedaços de pano, doente e com os braços cheios de bernes. Após ser tratada no Hospital Universitário (HU), ela foi encaminhada ao Asilo São Vicente de Paulo, onde mora até hoje.
Em abril do ano passado, o processo começou a tramitar na Justiça. Durante depoimento prestado anteontem à juíza, Maria de Lourdes relatou que o irmão puxava seus cabelos e orelhas, xingava-a e deixava-a sem comida. ‘‘Ela contou que tinha que comer sobras da comida do gato’’, diz Lídia Maejima.
Além da vítima, foram ouvidas quatro testemunhas de acusação. Uma quinta testemunha, o diretor-clínico do HU, Sílvio Villari Filho, não compareceu porque está de férias. Lídia Maejima explica que agora o Ministério Público dará um parecer para verificar se ainda quer ouvir o médico. Em seguida serão ouvidas duas testemunhas arroladas pela defesa. Depois, será a fase de sentença.
A juíza explica que os réus foram ouvidos no ano passado e sustentaram a mesma versão de quando eles foram flagrados, em março de 1996. Maria Lúcia alegou que seu marido é quem não dava comida e expulsou a Maria de Lourdes de casa.
Já Manoel Graciano da Silva fez as mesmas acusações contra sua esposa.
A pena prevista para abandono de incapaz é detenção de seis meses a três anos. Segundo Lídia Maejima, existe o agravante de o réu ser irmão da vítima. O que torna o crime mais grave também é que Maria de Lourdes era mantida em um local ermo (na zona rural), onde o socorro é mais difícil.

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