Mulheres vítimas de violências têm desde ontem um local para se refugiar em Cascavel: o Abrigo Nossa Senhora, iniciativa que envolve a administração municipal, Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar) e Delegacia da Mulher. As mulheres e seus filhos podem permanecer até três meses no local, mas antes devem comunicar a violência sofrida à Delegacia, para instauração de inquérito.
O abrigo, que pode receber até 12 mulheres em alojamentos coletivos, está instalado em uma casa alugada pela prefeitura, na zona oeste da cidade. O endereço não é divulgado para evitar que os agressores tenham acesso, segundo a delegada Elaine Aparecida Ribeiro.
O atendimento médico e psicológico será prestado no local ou postos de saúde e hospitais conveniados. As mulheres poderão participar de cursos, como artesanato, produzindo peças para venda e garantindo renda durante o tempo em que permanecerem abrigadas. Os cursos serão ministrados basicamente por voluntárias. A administração da casa foi entregue a Maria Helena Salvatti, que já atuou no Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente.
A coordenadora do Provopar, Idalina Barreiros, observa que as mulheres poderão ter a companhia dos filhos. Em relação ao tempo de permanência no local, além do prazo máximo de três meses, o mínimo é de três dias, ‘‘para evitar o desvirtuamento da proposta do abrigo’’, ou para que ele não sirva para atender mulheres que tenham apenas pequenos desentendimentos com seus companheiros e queiram sair de casa ‘‘apenas por uma noite’’.
A delegada Elaine Aparecida Ribeiro relata que sua Delegacia atende em média seis queixas por dia, de mulheres que dizem ter sido agredidas por maridos ou companheiros, mas a maior parte acaba desistindo de formalizar a denúncia, para não dificultar a reconciliação. ‘‘Com isso, ficamos legalmente impedidos de apurar os fatos e buscar a punição aos agressores’’, observa Elaine, que conta na Delegacia apenas com o apoio de uma auxiliar administrativa e duas estagiárias.Edson MazzettoRefúgioInauguração do Abrigo Nossa Senhora, que vai atender mulheres vítimas de violência e seus filhosPaulo Pegoraro

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