Vítima de sequestro presta depoimento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de abril de 2003
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Os assaltantes sabiam que o carro possuia rastreador via satélite e não tinham intenção de sequestrar a empresária Rosana Sorgi Xavier, 45 anos. Essas foram as conclusões do delegado do 1º Distrito Policial de Londrina, Marcos Belinati, depois de tomar o depoimento da vítima, ontem de manhã. Há dois dias, Rosana foi levada, juntamente com seu BMW, por três homens armados do centro de Londrina e libertada em Corumbataí do Sul (51 km a leste de Campo Mourão). Dois assaltantes entraram na BMW enquanto um terceiro integrante da quadrilha os acompanhou em um Audi preto, furtado há cerca de um mês em Curitiba.
A empresária descreveu com detalhes ao delegado as mais de cinco horas que permaneceu com a quadrilha. Segundo Belinati, o grupo seria especializada em roubo de carros importados. ''Tudo indica que eles queriam somente a BMW (modelo X-5, avaliada em cerca de R$ 300 mil) e não efetuar um sequestro. Isso porque eles não sabiam o nome da vítima'', comentou o delegado.
Em depoimento, Rosana afirmou que os homens desconfiavam da existência de um sistema de rastreamento instalado no veículo. ''Eles falavam que o carro tinha rastreador e que eu era a garantia que o carro não seria parado'', disse a empresária. Ela destacou que haveria um local onde possivelmente o carro seria parcialmente desmontado para retirar o sistema de monitoração.
A vítima disse também que o local escolhido para a abordagem da quadrilha estaria ligado à rotina dela. No prédio localizado na Rua Santos (área central), além de morar uma amiga de Rosana, há também uma academia de ginástica. ''Três vezes por semana eu vou para aquele prédio fazer exercícios. Mesmo assim, continuarei minha vida normalmente'', comentou a empresária na saída da delegacia.
Na noite do sequestro, o porteiro do prédio viu a movimentação e alertou a amiga de Rosana. Ela avisou familiares da vítima, que por sua vez, acionaram a empresa responsável pelo rastreamento via satélite.
O grupo passou por Maringá, escapando de vários cercos policiais até chegar a Corumbataí do Sul, onde o sistema de radar bloqueou o fornecimento de combustível. O grupo colocou a vítima no Audi e fugiu por um milharal, onde houve troca de tiros com policiais militares. Até ontem, não havia pistas da quadrilha.
Rosana é filha do empresário Sebastião Francisco Xavier Bueno (dono de uma rede de frigoríficos no Mato Grosso) e mora no Bairro Aeroporto, em Londrina. A polícia suspeita que os sequestradores abandonariam a empresária perto da fronteira e levariam a BMW para o Paraguai, passando por Foz do Iguaçu. Até a tarde de ontem, os carros importados continuavam na delegacia de Campo Mourão, onde passavam por perícia e coleta de impressões digitais.


