Vítima de sequestro dá depoimento
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sexta-feira, 12 de maio de 2000
Lúcio Flávio Moura De Cambé 
O taxista Antonio Roverso, 60 anos, que foi sequestrado e teve os dedos de uma mão mutilados em um meio-fio à margem da BR-369, em Cambé, disse ontem que pretende mudar-se de Campo Mourão para uma cidade onde possa viver tranquilo. Ele quer proteger a mulher e os quatro filhos de outros possíveis atentados.
Na quarta-feira, Roverso estava caminhando em uma rua de Campo Mourão quando foi abordado por dois homens um deles armado que o forçaram a entrar num Monza. Minha mulher está com câncer na garganta, muito debilitada, está sofrendo muito com esta situação. Tenho que tomar alguma providência para manter minha segurança, desabafou Roverso, que descartou a possibilidade de pedir proteção policial. Minha esposa não aguentaria isto.
Precavido, o taxista tem quatro apólices de seguro de vida no valor total de R$ 200 mil. Ele tenta junto às seguradoras o ressarcimento pelos danos físicos provocados pelo primeiro atentado sofrido em fevereiro.
Roverso disse que os dois homens que o sequestraram em Campo Mourão na quarta-feira podem ser os mesmos que o raptaram há três meses em Maringá e o atingiram com dois tiros na perna. De acordo com a descrição feita ontem em depoimento prestado na Santa Casa de Cambé, ao delegado Antonio do Carmo, os sequestradores eram dois homens morenos, estatura mediana, com idade estimada entre 25 e 30 anos.
De acordo com a vítima, que permaneceu cinco horas com um saco plástico na cabeça, os homens não conversavam durante a viagem, pararam uma vez no acostamento por quase uma hora e devem ter transitado por estradas vicinais, já que ele não percebeu paradas em praças de pedágio.
Quando eles pararam o carro achei que ia morrer, relembrou Roverso. Enquanto um deles apontava uma arma para mim e me segurava o braço esquerdo, o outro deu uns sete ou oito golpes com um facão. Minha mão ficou toda retalhada. Não podia gritar de dor, que o rapaz ameaçava atirar, relatou o taxista.
As investigações devem se orientar por duas hipóteses. A primeira, queima-de-arquivo, estaria relacionado a irregularidades em uma empresa onde o taxista trabalhou. Eu sabia demais, disse . A segunda seria vingança. Roverso teria deposto contra um policial militar que tentou extorquir um cliente seu, que circulava com mercadorias contrabandeadas.


