Vítima de queimaduras é transferida
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quarta-feira, 19 de junho de 2002
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
O açougueiro Franklin da Cruz Gonzaga, 23 anos, que teve 80% do corpo queimado numa explosão provocada por um vazamento de gás num açougue na Rua Santos (centro), conseguiu ser transferido ontem à noite da Santa Casa de Londrina para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Evangélico, em Curitiba. O hospital é o único no Estado que tem uma ala especializada no atendimento a vítimas de queimaduras.
A explosão aconteceu no sábado à tarde e, além de Franklin, o proprietário do açougue, Ailton Albuquerque Júlio, 33 anos, também se feriu e teve queimaduras de terceiro grau em grande parte do corpo. Como o estado de Ailton foi considerado mais grave, ele conseguiu transferência, no domingo, para o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC/USP), em Ribeirão Preto (interior de SP).
Por causa das vítimas necessitarem de monitoramento constante das funções vitais, elas tiveram que ser transportadas em um avião da Unimed, equipado com UTI. O custo da transferência, de cerca de R$ 12 mil, teve que ser arcado pelas vítimas, já que o Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre despesas com transporte. Clientes, fornecedores, funcionários e amigos se organizaram para conseguir os recursos necessários para cobrir os gastos com a transferência.
A mãe de Franklin, Gilda da Cruz Gonzaga, que seguiu com o filho para a capital, estava mais tranquila ontem. Estou num estado de felicidade total, comemorou. Batalhamos 24 horas por dia para conseguir a transferência, completou. Ela disse ainda que o filho recebeu a notícia também com muita alegria. Ele está feliz da vida.
O açougueiro deverá ficar internado na ala de queimados do Evangélico por pelo menos um mês. O restante do tratamento poderá ser feito em Londrina. Gilda agradeceu o trabalho realizado pelos médicos e a ajuda que recebeu. A Santa Casa e Londrina me deram o maior presente de todos, disse.
Josefa Cavalcanti Albuquerque, mãe de Ailton, revelou que ontem ele se alimentou normalmente e hoje deve passar por uma cirurgia de reconstituição num dos ombros. Ele ainda sente muitas dores na hora do banho, comentou. Segundo a mãe, o tratamento de Ailton irá durar mais de seis meses.
Com uma população de 9,558 milhões de habitantes, o Paraná só tem 35 leitos para vítimas de queimaduras 22 para adultos e 13 para crianças. Na edição de ontem, da Folha, o secretário de Saúde de Londrina, Silvio Fernandes, disse que o maior problema para instalação de uma ala para queimados na cidade é o custo do serviço.


