Vítima de queimadura morre à espera de vaga
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segunda-feira, 03 de outubro de 2005
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Depois do desespero, a resignação. Estes foram os sentimentos da família da dona de casa Adinalva Lima da Costa, 42 anos, que morreu ontem na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Universitário (HU), em Londrina. Após ter cerca 70% do corpo queimado, ela recebeu atendimento na cidade mas não foi transferida para um centro especializado por falta de vagas. Enquanto isso, a construção da Ala de Queimados da instituição está em andamento.
A vítima, que sofria de epilepsia, morava no Jardim Maracanã, na Zona Oeste. Na quarta-feira passada, ela teve uma convulsão e caiu sobre uma vasilha, na qual fervia roupas, e na fogueira. De acordo com a irmã dela, a empregada doméstica Elenice Aparecida Lima da Costa, 37 anos, Adinalva fazia tratamento, mas os ataques eram constantes. ''Ela inchou bastante e teve um seio inteiro 'comido' pela água'', relatou Elenice.
Os três filhos adolescentes de Adinalva já moravam com parentes, principalmente por causa dos problemas de saúde da mãe. Mesmo contando que o atendimento de emergência demorou pelo menos meia hora para ser acionado, Elenice acredita que o caso da irmã era irreversível, independentemente da falta de vagas para tratamento especializado.
A opinião da empregada doméstica é uma das hipóteses aceitas pelo diretor superintendente do HU, Francisco Eugênio Alves de Souza. Mesmo afirmando desconhecer detalhes sobre o caso de Adinalva, ele explicou que a transferência para um centro especializado no tratamento de queimados não é garantia de sobrevivência.
''Claro que num centro especializado ela teria mais chances. Mas é claro que muita gente queimada vai morrer no centro (do HU), tanto em consequência das queimaduras como de infecções que podem ocorrer'', disse Souza. O superintendente faz referência à Ala de Queimados da instituição, que está em construção.
A obra está prevista para ser entregue no final de janeiro. Com custo aproximado de R$ 2 milhões para a construção e outros R$ 2 milhões para a compra de equipamentos, a Ala de Queimados contará com duas salas cirúrgicas, seis leitos de enfermaria pediátrica e seis de adultos, além de seis vagas de UTI. O espaço físico é de quase mil metros quadrados.
Após a entrega da construção, os recursos para os equipamentos e a contratação de cerca de 100 funcionários deverão ser liberados pelo Estado. O setor vai contar com sistema de isolamento com ar condicionado filtrado e boxes para banho com espaço para macas. O governo estadual repassará ajuda de custo para manutenção, cujo valor ainda não foi definido. Também haverá repasse do Ministério da Saúde para pagamento de internações além do teto estabelecido para o Sistema Único de Saúde (SUS).
As centrais especializadas no tratamento de queimados mais próximas de Londrina são em Curitiba, a única do Paraná, e Marília, no interior de São Paulo. A ala do HU será referência para a região e até para outros Estados. Enquanto a obra não é concluída, os pacientes queimados são internados no setor de UTI do hospital. Como foi feito com a dona de casa Adinalva Costa, que não teve vaga garantida antes da morte, registrada às 10h45 de ontem. O enterro será hoje, no Cemitério Anchieta, no Jardim Ideal (Zona Leste).


