Até a noite de ontem, era grave o estado de saúde do açougueiro Osvaldo Alves da Silva, 45 anos, vítima de meningite. Ele está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário de Londrina desde anteontem à tarde, para onde foi encaminhado após passar pelos hospitais da Zona Norte e Zona Sul.
Segundo o médico intensivista do HU Pedro Humberto Leite, a bactéria causadora da doença em Silva foi o pneumococo, o que descarta o diagnóstico inicial de meningite meningocócica. ''É um tipo um pouco mais leve do que o meningococo, mas ainda assim um dos mais perigosos'', explicou. O médico informou que Silva estava entubado e respirando por aparelhos. Não foi necessário promover isolamento.
Em reportagem publicada ontem, a Folha apontou o drama do paciente para conseguir um leito de UTI em meio à superlotação dos hospitais e aos trâmites para liberação de ambulâncias. Ele seria transferido pela manhã para um hospital de Jacarezinho, mas acabou sendo internado no HU, somente no final da tarde.
Familiares de Silva relataram que ele começou a ter febre e dor no ouvido no último domingo. Na terça-feira à noite, o açougueiro procurou o Hospital da Zona Norte (HZN), onde foi medicado e liberado. Pouco depois o estado dele piorou, de acordo com um vizinho, que decidiu levá-lo para o Hospital da Zona Sul (HZS).
A diretoria do HZN garantiu, ontem, que não houve falha médica. ''O paciente chegou com uma infecção no ouvido, o que provavelmente foi a porta de entrada para a meningite. A doença ainda não havia se manifestado naquele momento'', garantiu o diretor-geral, Paulo Gutierrez.
Segundo o diretor clínico do HZN, Márcio Próspero, dentre os três sintomas clássicos da meningite dor de cabeça, vômito e febre o paciente apresentava somente o último. ''Aplicamos um antibiótico intramuscular (Benzetacil) e o mantivemos no hospital por cerca de 45 minutos. Não havia razão para mantê-lo sob observação'', disse.
Neste ano, foram registrados 241 casos de meningite em Londrina, sendo apenas oito do tipo meningocócica, o mais grave. Três pessoas morreram. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, no Paraná foram 1.405 casos 42 de meningite meningocócica, com 13 óbitos.

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