O corpo da estudante Cláudia Miranda, de 17 anos, que vítima de um incêndio em uma casa de Iporã (Oeste) no dia 19 de novembro, foi sepultado na tarde de ontem no Distrito de Nova Santa Helena, que fica a 20 km da sede do município. Ela sofreu queimaduras em 57% do corpo e desde o dia do incêndio estava internada no Hospital Universitário (HU) de Londrina, mas na tarde de quinta-feira ela não conseguiu resistir aos ferimentos e morreu.
O tio dela, César dos Santos Prado, relatou que ela tinha planos de trabalhar na área de estética. "Ela sempre falava que iria mexer com salão de beleza. Queria fazer cursos nessa área. Eu sou suspeito para falar dela, porque ela era alguém que tinha muitas amizades, ia bem na escola e era bastante dedicada", destacou.
Prado ressalta também a consciência ambiental da sobrinha. "Ela e mais nove colegas de turma participavam de um projeto da escola para conscientizar as pessoas a manter a cidade limpa", destacou.
A adolescente era neta do dono da residência queimada, Antônio do Prado, de 69 anos, catador de materiais recicláveis. A principal suspeita é de que o incêndio tenha começado por um curto-circuito. Em maio deste ano, Prado ficou conhecido em todo o Paraná por achar um caderno com R$ 50 mil em dinheiro na rua e devolvê-lo ao dono. "São valores como esse que ele transmitia para a Cláudia, que criou como se fosse sua filha. Ela foi criada pelo seu avô porque seu pai biológico não tinha condições de criá-la. Quando meu irmão teve ela, não era
casado, e não teve como criar. Meu pai pegou a guarda dela. Fomos criados como irmãos", relatou. Um dia após o incêndio, moradores de Iporã se mobilizaram e conseguiram móveis e materiais para reconstruir a casa de Prado, completamente destruída pelo incêndio. "Infelizmente tivemos a casa queimada. Agora a gente tem que tocar a vida para a frente. Vamos tentar reconstruir a casinha e sempre vamos lembrar dela em cada canto dessa nova casa", declarou César.
Incêndios provocados por curtos-circuitos acontecem geralmente por instalações elétricas mal conservadas, por sobrecarga da capacidade da rede doméstica e com o Natal e as festas de fim de ano a caminho, acidentes elétricos tornam-se constantes. Problemas com a iluminação natalina podem acarretar choques, curtos-circuitos e até mesmo incêndios. Por isso é preciso tomar cuidado.
Segundo o Corpo de Bombeiros, alguns cuidados precisam ser tomados. Em tempo de festas natalinas, os tradicionais pisca-piscas são os que mais preocupam pela possibilidade de provocar um incêndio por curto-circuito. O uso de lâmpadas piratas, que não possuem selo do Inmetro, deve ser abolido. A recomendação é que elas sejam substituídas pelas de LED, que, além de garantir ao consumidor maior economia, diminuem consideravelmente os riscos de incêndio.
É necessário também ficar atento com materiais inflamáveis, que devem permanecer longe das instalações elétricas. Em caso de animais e crianças, a aproximação da árvore e dos enfeites natalinos só pode ocorrer quando houver a presença de um adulto. Emendas, extensões e benjamins estão proibidos. O correto é conectar cada objeto a uma tomada diferente. Quando os enfeites estiverem em áreas externas, é preciso cuidar com a exposição à chuvas e alagamentos. Após as festas, se os materiais de iluminação forem reutilizados a atenção deve ser redobrada. Certifique-se se os fios não estão amassados e mantenha-os longe de umidade e poeira.

BALANÇO

De janeiro a agosto deste ano, o Centro de Tratamento de Queimados do HU de Londrina realizou 183 internações, 176 atendimentos de pronto-socorro, 767 consultas ambulatoriais e 813 cirurgias. Entre as causas que mais provocaram queimaduras estão a exposição ou combustão de uma substância muito inflamável (30,2%), contato com líquidos quentes (23,9%), contato com bebidas ou alimentos ou gordura ou óleo de cozinha quentes (18,0%), exposição à corrente elétrica (9,8%) e explosão de outros materiais (3,4%). Demais causas respondem por 14,7% das queimaduras.

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