Vítima de erro médico ganha direito a indenização
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terça-feira, 20 de abril de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Depois de cinco processos movidos ao longo de quase 14 anos, a dona-de-casa Matrona Stoicov Rodrigues agora começa a ver na Justiça o que ela considera parte da reparação de uma longa e dolorida caminhada. Vítima de um erro médico que lhe custou a retirada de toda a genitália, ela é a beneficiada pela sentença do juiz da 6 Vara Cível, Celso Seikiti Saito, que determinou ao médico Lúcio Alberto Carvalho de Novaes umna indenização por danos morais e estéticos avaliada em R$ 105 mil. A decisão, em primeira instância, é passível de recursos.
A justiça condenou Novaes também ao pagamento de despesas médico-hospitalares de recuperação das lesões e das de tratamento psicológico, além das verbas por danos materiais resultantes da incapacidade parcial de trabalho. A sentença foi publicada no Diário Oficial da Justiça em fevereiro.
A sentença remonta a setembro de 1990, quando Matrona percebeu pequenas manchas na vulva e se consultou com Novaes. Segundo ela, sem realização de biópsia comprovando existência de tumor maligno, ele indicou cirurgia em caráter de emergência. Nove dias depois, o procedimento foi realizado no Hospital do Câncer de Londrina (HCL). ''Ele me disse que, se não operasse, eu teria no máximo mais seis meses de vida. Com a operação, ainda duraria de um ano e meio a dois anos. Fiquei desesperada'', lembrou.
Com a região genital reduzida a um pequeno orifício, ela contou que recebeu em casa, oito dias após a cirugia, o telefonema do HCL informando que a biópsia não tinha apontado câncer e que, portanto, ela poderia suspender os fortes medicamentos em uso. ''No começo foi um alívio, imagina você saber que não vai mais morrer? Mas depois, quando procurei o médico, começou o pesadelo.'' Durante um ano, ela passou a depender dos outros para as atividades mais simples.
A luta na Justiça foi parar em Curitiba, no Conselho Regional de Medicina, e em Brasília, no Conselho Federal. Neste, ao qual Matrona apresentou sua própria defesa, veio o parecer que esperava: erro de diagnóstico e indicação errada de procedimento cirúrgico.
A Folha telefonou para o médico e a mulher dele solicitou que falasse com o advogado Armando Garcia. Para o advogado o terceiro, desde o início do caso , a sentença foi ''infeliz em todos os sentidos'', já que Matrona havia tido um melanona diagnosticado em janeiro daquele ano, mas no tórax. ''Já ingressamos com recurso para cassar a sentença, agora é esperar'', anunciou.


