O engenheiro Ernesto Pívaro Neto, proprietário de uma das chácaras atingidas pela enchente no rio Tibagi em Jataizinho, na semana passada, enviou uma carta à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) cobrando explicações sobre o procedimento adotado pela campanhia em relação às chuvas e consequente cheia do rio. Segundo ele, se as respostas não forem convincentes, entrará na Justiça contra a Cesp para recuperar os prejuízos que teve com a enchente.
Pívaro teve propriedade e automóveis danificados pela enchente. A principal questão apontada por ele: o que fez as águas do Tibagi subirem tão rápido (cerca de sete metros em menos de 24 horas) e, logo em seguida, baixarem na mesma velocidade, depois que a ponte da BR-369, em Jataizinho, já estava sob risco? ‘‘Fiquei impressionado com a velocidade com que a água subiu e desceu. A impressão é que a Cesp demorou para abrir as comportas da usina de Capivara, o que poderia ter evitado os prejuízos. Que critério é usado para abrir ou não as comportas?’’
O engenheiro também não entende por que - se a enchente era inevitável -, a Defesa Civil não foi acionada para orientar a população ribeirinha a se prevenir contra as chuvas. ‘‘Nos Estados Unidos, quando vai ter enchente, a Defesa Civil informa a população e a precaução é mais eficiente.’’ Pívaro também ficou muito irritado quando o gerente regional de operação do Paranapanema, Carlos Adão Biela, da Cesp em Chavantes (SP), disse, em entrevista à Folha, que havia ‘‘sentimentalismo’’ entre as vítimas de enchentes.
Ernesto Pívaro diz que até agora a Cesp tem sido muito atenciosa e se comprometeu a dar uma resposta com explicações técnicas sobre a enchente no Tibagi. ‘‘O engenheiro Viela foi muito educado e até pediu desculpas por ter usado a palavra ‘sentimentalismo’. Mas estou convicto de que houve negligência.’’
Em entrevista por telefone, o engenheiro Carlos Adão Viela garantiu que uma equipe técnica da Cesp está preparando todas as respostas para serem enviadas à Pívaro.
Viela adianta, porém, que em função da intensidade das chuvas, as cheias no rio Tibagi aconteceriam com ou sem a presença da barragem de Capivara. ‘‘A usina está abaixo de onde houve a enchente e serviu como amortecedora, por isso não houve demora na abertura das comportas’’, disse. Sobre a possibilidade de ações contra a Cesp, o engenheiro diz estar tranquilo. ‘‘As pessoas têm todo o direito de entrar ou não na Justiça. Mas elas não terão respaldo nenhum.’’

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