RETORNO Vítima de Chernobyl volta à Ucrânia A última das crianças ucranianas que vieram ao Brasil no ano passado volta depois do tratamento de saúde Arquivo FolhaANTESOleksander (à esquerda) junto com os amigos, quando chegou ao Brasil. Ele havia ficado em tratamento Maigue Gueths De Curitiba Oleksandr Opanasyuk, de 8 anos, uma das cinco crianças ucranianas que chegaram ao Brasil no dia 25 de outubro para tratar de leucemia, finalmente volta a seu país de origem, hoje, com a doença totalmente controlada. Integrantes do terceiro grupo dos chamados ‘‘filhos de Chernobyl’’ que vieram a Curitiba em busca de tratamento, as outras quatro crianças voltaram à Ucrânia sem traços de leucemia no sangue em 15 de dezembro. Oleksandr, entretanto, teve a doença agravada logo que chegou ao Brasil, onde permaneceu a maior parte do tempo internado no Hospital Evangélico recebendo altas doses de quimioterapia. ‘‘Ele sofreu muito, mas graças a Deus ele ficou bom’’, diz Lubina Kovalechucki, que junto com o marido Demetrio e os três filhos Alessandro, Demetrius e Daniel, de 22, 21 e 16 anos respectivamente receberam Oleksandr em casa, onde ficaria hospedado durante o tratamento em Curitiba. Mas o tempo de convívio com nova família acabou prejudicado, já que o menino passou internado no Hospital Evangélico três meses, de 29 de novembro a 29 de fevereiro. Mesmo assim, os ‘‘pais e irmãos brasileiros’’ se apegaram ao garoto, enquanto se revezaram, por um mês, passando as noites no hospital. Em 28 de dezembro, o pai de Oleksandr veio da Ucrânia, seguido pela mãe Zenaide, que chegou um mês depois. Os pais, assim como o garoto após a alta no último dia 29, ficaram hospedados na casa do bispo da Igreja Ortodoxa Ucraniana para a América do Sul, dom Jeremias Ferens. ‘‘O garoto deu um susto em todos nós porque ficou bastante ruim, mas a equipe médica do dr. Ivo Ronchi, hematologista chefe do hospital fez um ótimo trabalho e o garoto conseguiu melhorar‘‘, diz o presidente da representação Central Ucraniano-Brasileira, José Welgacz. Quando Oleksandr chegou ao Brasil, a leucemia era remissiva, ou seja, estava regredindo. Mas cerca de dez dias depois, passou a ser rescindiva, quer dizer, voltou com mais gravidade. Para atacá-la, foram necessárias várias sessões de quimioterapia, provocando efeitos colaterias, como outras doenças, o que o obrigou a tomar altas doses de antibióticos. Apesar de tudo isto, o menino sai do Brasil com boas lembranças. ‘‘Acho que o que ele mais gostou foi do futebol. Ele já é coxa’’, conta Lubina, lembrando que assim que o garoto chegou, seus filhos lhe deram uma bola do Coritiba. Mãe, pai e filho também experimentaram e gostaram de churrasco e feijoada. Para comemorar os bons resultados, o bispo Ferens reuniu em sua casa, ontem à noite, as famílais ucraniana e brasileira para uma pequena festa de despedida.

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