Foi com o comércio de tecidos e confecções aberto há 27 anos na Rua Bahia (Região Central de Londrina) que a família Scaramal prosperou, deu e dá emprego a dezenas de trabalhadores e contribuiu para o crescimento da cidade. Mas agora a família pensa em encerrar as atividades por causa da violência e tentar a sorte em outra cidade. Com isso, 15 funcionários correm o risco de serem demitidos. Nos últimos seis meses, a loja foi visitada quatro vezes por assaltantes. O último roubo aconteceu na tarde de segunda-feira.
''O que nossas autoridades estão fazendo?'', questionou o comerciante Juliano Scaramal. A pergunta, ''para a qual eles não têm a resposta'', ilustra o sentimento de total descrença de que o crime será vencido em Londrina e é reflexo do que o empresário sofreu nos últimos seis meses. Do início do ano até a última segunda-feira foi vítima de ladrões quatro vezes. Num deles, a Polícia recuperou um notebook e prendeu dois criminosos. ''Em 27 anos de atividade no mesmo endereço, nunca tínhamos sido assaltados'', completou.
O último roubo foi praticado às 15 horas da última segunda-feira. Dois rapazes chegaram em uma moto Titan verde, o garupa desceu, entrou na loja, anunciou o assalto. ''Ele revirou o caixa mas queria o cofre, coisa que nós não temos, e fez muitas ameaças'', recordou ainda assustado. Fugiu logo em seguida levando R$ 350 em dinheiro. Assim como das outras vezes, ele chamou a Polícia Militar para registrar a queixa. ''Mas o próprio policial me desanimou. Ele falou que tinha que atender da Avenida Rio Branco até quase a Comaves (Zona Leste), que enquanto estava me atendendo sabia que outras pessoas estavam sendo assaltadas e ele não podia fazer nada.''
Por tudo isso, a família estuda seriamente encerrar as atividades em Londrina e recomeçar em outra cidade, talvez Maringá. ''Somos do comércio e deveríamos chamar empresários para vir para cá. Mas hoje, levantamos a bandeira ao contrário. Quando algum empresário pergunta para gente se aqui está bom para trabalhar, aconselhamos a não vir por causa da violência'', lamentou Scaramal. Caso decidam pelo fechamento, 15 funcionários que hoje trabalham na empresa vão ser demitidos.
Porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar, o tenente Ricardo Eguedis afirmou que o policiamento no Centro foi reforçado, inclusive com patrulhamento por motos. ''Temos conseguido localizar e prender diversos criminosos'', citou o tenente, lembrando que na semana passada um foragido da Justiça foi preso quando transitava armado na Área Central na companhia de um adolescente. Ele reforçou que a PM faz blitze específicas de abordagens a motociclistas e observou que, normalmente, os suspeitos presos são reconhecidos em diversos assaltos. Por isso, é importante que a vítima sempre registre a queixa.
O tenente orientou os comerciantes a não deixarem quantias altas de dinheiro no caixa, ''o primeiro local que o criminoso procura''. Por fim, alertou mais uma vez para que as vítimas não reajam em hipótese alguma nem façam movimentos bruscos diante de um assaltante armado.

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