Milton DóriaInsegurançaO economista Carlos Ikehara, que teve Mercedes roubada anteontem: ‘‘Não temos xerife na Cidade’’ O agropecuarista e diretor financeiro do Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas Sócio-Econômicas (Inbrap), economista Hideraru Carlos Ikehara, denunciou ontem à tarde que Londrina está completamente sem segurança. ‘‘Não temos xerife na Cidade. A insegurança está solta, pois basta observar a quantidade de assaltos que estão ocorrendo e apavorando a população. O pior de tudo é que não se vê nenhuma providência por parte das autoridades para diminuir esta criminalidade. O Governo do Estado está mais preocupado em fazer política partidária, do que realmente realizar uma política de segurança para garantir a integridade e o patrimônio da nossa comunidade’’, afirmou o economista.
Carlos foi assaltado junto com a família no portão de sua casa, quando chegava de um aniversário, por volta da 22 horas de domingo. Um ladrão encapuzado, armado com uma pistola calibre 9 mm e um revólver, roubou seu carro Mercedes Benz. A residência fica localizada na rua Nevada, no jardim Quebec (zona oeste). Ele disse que o sistema eletrônico do portão de entrada estava com problema e seu filho, com 14 anos, desceu do veículo e foi abri-lo. O economista entrou com o carro para o pátio da casa e o filho, quando fechava o portão, foi rendido pelo ladrão. O economista enfatizou que a sua denúncia sobre a falta de segurança na Cidade poderia se resumir num ato de cidadania. Revoltado, ele detalhou a situação de pavor que passou com sua família. ‘‘O assalto não durou mais de dois minutos. Ele (o ladrão) encostou a arma no meu filho. Do retrovisor do carro pude observar a cena e cheguei a pensar que ele seria sequestrado. Sai do carro e fui até eles, e ambos já estavam conversando. Ao me aproximar, ouvi o ladrão dizer que queria somente a Mercedes, o que me aliviou’’, contou Carlos. Ele disse que depois o ladrão encostou a arma em suas costas, deixando o filho livre. O ladrão permitiu que as vítimas ficassem com seus pertences, inclusive dinheiro, telefone celular e uma bolsa onde o economista guardava seus cartões de crédito, cheques e documentos pessoais. Na opinião dele, o carro foi roubado por encomenda. ‘‘O ladrão foi muito educado e polido. Em momento algum falou giria e mostrou que estava determinado em levar o meu Mercedes. Chamou a atenção que ele deixou o outro carro, mais valioso (um BMW, ano 1997), que estava na garagem.’’
O final de semana violento veio reforçar as denúncias do economista a respeito da segurança de Londrina. Também no domingo, a residência da dona-de-casa Ayko Izume Yamashita foi invadida por quatro ladrões. A casa está localizada na rua Tupinambás, 111, na vila Casone (centro). O assalto ocorreu quando a família recebia visitas. Os ladrões, armados com pistolas e revólveres, além de apavorarem as pessoas, roubaram um videocassete, dinheiro e diversos aparelhos eletrônicos. Durante o roubo e até vinte minutos depois da fuga dos ladrões, as vítimas ficaram trancadas em uma quarto.
A história vivenciada pelo aposentado Oscar Vasconcelos, 63 anos, conforme ele mesmo disse ‘‘é inédita’’. No domingo à tarde foi comprar pão na padaria Pão Doce Pão, na avenida Maringá, e foi surpreendido com a notícia de que minutos antes aquele estabelecimento havia sido assaltado. Ao voltou para casa, na rua Ponta Grossa, foi surpreendido com um ladrão no interior da residência. Sob ameaça de um revólver, foi obrigado a entregar dinheiro e jóias que estavam em um cofre.
O delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Acácio Azevedo, disse que está fazendo o possível para tentar conter a ação dos ladrões. Ele tomou como exemplo a superlotação de presos nos Distritos Policiais, para mostrar que a polícia está trabalhando. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, Marino Ari Burille, disse que seu pessoal também está trabalhando: ‘‘O que a polícia não pode fazer é estar em todos os locais, em todos os momentos de roubo.’’

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