Lucilia Okamura
Um acidente ocorrido em abril do ano passado mudou totalmente a vida da ex-vendedora Sônia Maria Cardoso, 23 anos, de Londrina. Ela foi atropelada na calçada, ficou em coma dois meses, teve que se submeter a uma traqueostomia (perfuração na traquéia para facilitar a respiração e alimentação), engordou 75 quilos e parou de trabalhar e estudar. Ela precisa se submeter a um tratamento médico, mas a família diz não ter condições de pagar.
Sônia contou que o atropelamento aconteceu à noite, na Rua Lázaro José Carias, no Conjunto Semíramis (zona norte), quando voltava da escola. Ela disse que um carro fez uma manobra brusca, fechou um motoqueiro, que, para evitar a colisão, subiu a calçada e acabou atropelando-a. ‘‘Não culpo o motoqueiro, quem provocou o acidente foi o carro’’. O veículo, segundo ela, estava sendo dirigido pelo pastor Luis Carlos Silva.
Os pais da vendedora, José Antônio e Maria de Lurdes Cardoso, informaram que a filha ficou em coma por dois meses e, quando ainda estava no hospital, foi submetida a uma traqueostomia porque apresentou problemas pulmonares. ‘‘Depois que ela acordou, começou a comer compulsivamente e a engordar muito’’, explicou Maria de Lurdes.
Sônia tem 1,67 metro de altura e, antes do acidente, pesava 57 quilos. ‘‘Antes eu tinha um corpo normal, hoje estou com 122 quilos’’. Na sua opinião, o excesso de peso é resultante dos medicamentos e do trauma psicológico. Além da estética, o excesso de peso causa problemas de saúde e, por isso, ela fica praticamente o dia todo dentro de casa. ‘‘Perdi os amigos e o meu noivo. Agora são só eu e Deus’’, lamenta. O noivado de Sônia ocorreu três dias antes do atropelamento.
Segundo José Antonio, a filha precisa se submeter a uma cirurgia reparadora mas, antes disso, precisa emagrecer. ‘‘Procuramos um médico particular, mas eu não posso ficar pagando consultas ou tratamentos’’, observou.
No ano passado, alguns meses após o acidente, a família entrou na Justiça com uma ação de indenização por danos pessoais e morais contra o pastor Silva. o advogado da família, Paulo Alípio de Campos Silveira, informou que a ação tramitou pela 7ª Vara Cível e, em novembro, foi considerada procedente. Mas o acusado recorreu da decisão e o processo está no Tribunal de Alçada, em Curitiba. Além das despesas de tratamento médico, o advogado pede o pagamento de 500 salários mínimos pelos danos morais.
A Folha telefonou várias vezes para o pastor, ontem à tarde, mas ninguém atendeu as ligações.A ex-vendedora Sônia Maria Cardoso precisa se submeter a um tratamento médico, mas a família diz não ter condições de pagar
Josoé de CarvalhoConsequenciasAtropelada na calçada, Sônia ficou em coma dois meses, engordou 75 quilos e parou de trabalhar e estudarA ex-vendedora pesava 57 quilos

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