O corretor de carros usados Rubens Caetano dos Santos, 40 anos, dois filhos, morador do jardim Jamaica (zona oeste) afirma estar impossibilitado de continuar trabalhando devido à burocracia existente na Autarquia do Meio Ambiente (AMA).
Rubens Caetano foi vítima de um acidente causado por um caminhão da AMA. O motorista da autarquia cruzou a preferencial, colidindo na traseira do carro que o corretor tinha acabado de vender. O acidente foi em 19 de maio.
‘‘Até hoje, apesar de o motorista ter confessado a culpa pelo acidente, ainda não pagaram o conserto do carro’’, reclama Rubens dos Santos. Ele conta que o acidente aconteceu na esquina das ruas Cuiabá com Belém (área central), a duas quadras da casa do comprador do Del Rey ano 83.
‘‘Como ele já tinha dado um sinal pelo carro, combinamos que o negócio ficaria em pé e ele me pagaria o restante quando fosse liberado o dinheiro para o conserto da lataria, que ficou toda amassada.’’
Rubens dos Santos conta que desde então vem tentando receber o dinheiro da AMA. Deu entrada no processo para ressarcimento um dia após o acidente e tratou de fazer os três orçamentos solicitados para o conserto do Del Rey. Conta que, na oficina autorizada, o reparo do veículo ficaria em R$ 1.780,00. Mas em outra oficina o serviço sairia por R$ 1.088,00.
O corretor reclama que esteve várias vezes na autarquia mantendo contatos com o diretor financeiro. Foi informando de que o processo é demorado e afirma que chegou a ser destratado pelo diretor. ‘‘Ele se irritou comigo e começou a gritar.’’
Sem receber o restante do dinheiro da venda do carro, conta Rubens dos Santos, foi preciso interromper o trabalho como corretor. Ele compra carros em São Paulo e os revende na Cidade. Cada negócio rende em torno de R$ 300,00 a 500,00. Santos conta que seu ganho médio mensal gira em torno de R$ 1.000,00 e R$ 1.500,00.
‘‘Sem poder trabalhar, fui obrigado a parar de pagar a pensão dos meus dois filhos e a atrasar o pagamento das contas’’, diz Santos. Ele está atualmente fazendo um trabalho extra com o serviço de moto-táxi.
Procurado pela reportagem da Folha, o diretor-presidente da AMA, Nelson Kohatsu, informou que o processo do corretor já foi julgado por uma comissão da autarquia, que faz a avaliação de danos. A sentença, segundo Kohatsu, foi favorável ao corretor, e o dinheiro para ressarcimento já foi empenhado. Ele não soube precisar a data para repasse do valor.
O diretor financeiro da autarquia, Joel Corrêa, destaca que o processo de Santos tramitou rapidamente já que, segundo ele, há alguns impetrados em fevereiro e março que só agora estão sendo finalizados. Mesmo assim, Corrêa garantiu que em breve o problema do corretor vai estar resolvido. ‘‘Acreditamos que até o final deste mês vamos pagá-lo.’’

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